O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, declarou que o escândalo do Banco Master foi associado de forma indevida à Corte e enfatizou que a crise é sistêmica, não se restringindo ao Judiciário. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gilmar destacou falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (BC), afirmando: “A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”.
O caso ganhou destaque no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Gilmar Mendes ressaltou que não deseja “isentar de responsabilidade quem tem”, mas afirmou que as relações dos magistrados com Vorcaro estão sendo investigadas pelas autoridades competentes.
Críticas e Propostas
O decano da Corte criticou a condução da crise institucional no STF e mencionou que a proposta de código de ética apresentada pelo presidente Edson Fachin gerou desconforto interno, surgindo em um momento de vulnerabilidade dos colegas. Apesar disso, negou qualquer divisão no Supremo e afirmou que a liderança do tribunal deve buscar unidade.
Inquérito das Fake News e Rejeição do AGU
Sobre o inquérito das fake news, Gilmar Mendes defendeu sua continuidade, considerando o ambiente de radicalização política e o acirramento eleitoral de 2026 como justificativas para a manutenção da investigação. Ele citou episódios recentes de ataques a ministros e autoridades.
Na avaliação de Gilmar, a rejeição do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF ocorreu por razões “puramente políticas”, sem relação com sua qualificação. O ministro apontou falhas de articulação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso, destacando as dificuldades enfrentadas pela gestão, que é minoritária no Legislativo.
Transparência e Folha Salarial
Gilmar Mendes rebateu críticas ao Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, afirmando que o evento não controla quem participa ou investigações envolvendo convidados. Em relação à transparência no Judiciário, declarou que não se opõe a discutir a divulgação de rendimentos com palestras, mas ressaltou que mudanças devem respeitar consensos e diferenças institucionais em relação a modelos estrangeiros.
Por fim, em relação aos chamados “penduricalhos” do Judiciário, Gilmar Mendes defendeu uma plataforma nacional unificada para a folha salarial, onde qualquer benefício extra precisaria de autorização, como forma de ampliar controle e transparência.
Opinião
A análise de Gilmar Mendes sobre a crise do Banco Master e sua relação com o STF reflete a complexidade do cenário político e institucional atual, destacando a necessidade de maior supervisão e ética no sistema financeiro e judiciário.





