A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforçou, em 21 de outubro de 2023, as orientações à rede estadual sobre a identificação, notificação, isolamento e atendimento de casos suspeitos de ebola no estado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas por ebola em surtos registrados na República Democrática do Congo e em Uganda.
Apesar da gravidade da situação na África, a secretaria informou que o risco de a doença chegar ao Brasil é baixo. Isso se deve à ausência de transmissão local do vírus no continente sul-americano, à falta de voos diretos entre as áreas afetadas e à forma de transmissão da doença, que ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas sintomáticas contaminadas.
Mesmo com a avaliação de risco baixo, os serviços de saúde foram orientados a manter atenção a pessoas com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus. A coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças, Regiane de Paula, afirmou: “São Paulo atua de forma preventiva e mantém sua rede preparada para uma resposta rápida e segura.”
O estado concentra um importante fluxo internacional de viajantes e conta com protocolos definidos, vigilância ativa, equipes capacitadas e unidades de referência para identificação, notificação e atendimento oportuno de casos suspeitos. Até o momento, foram confirmados 51 casos em duas províncias ao norte da República Democrática do Congo, embora a OMS reconheça que a escala do surto na região é muito maior do que os números oficiais.
A doença pode começar de forma súbita, com sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros graves, pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação do ebola varia de 2 a 21 dias.
No estado de São Paulo, casos suspeitos deverão ser notificados imediatamente à Vigilância Epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica estadual. A eventual remoção de pacientes deverá ser feita pelo Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências e Emergências (GRAU). O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, é a unidade de referência estadual para atendimento de casos suspeitos ou confirmados.
Até o momento, não há vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa atual de ebola, a Bundibugyo. As vacinas e os tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para a variante relacionada ao surto atual.
Opinião
A vigilância contínua e a preparação das unidades de saúde são essenciais para prevenir a entrada do ebola no Brasil, especialmente em tempos de surtos internacionais.





