Um ato na Avenida Paulista, realizado no dia 16 de setembro de 2023, lembrou os 20 anos dos Crimes de Maio, uma série de ataques que resultaram em mais de 500 mortos em São Paulo. O evento, promovido pelo Movimento Mães de Maio e pelo Cordão da Mentira, destacou a violência policial e a impunidade que cerca esses eventos trágicos.
Relembrando as vítimas
Os Crimes de Maio foram marcados por uma retaliação policial que resultou na morte de 505 civis e 59 agentes públicos, muitos dos quais eram jovens e negros. Além disso, há indícios de participação policial em 122 execuções, o que levanta questões graves sobre a atuação das forças de segurança durante esses eventos.
O Cordão da Mentira e as Mães de Maio
O Cordão da Mentira, fundado em 2012, é um bloco carnavalesco que atua como um espaço de denúncia contra as violações de direitos humanos, especialmente relacionadas à ditadura civil-militar. Durante o ato, o diretor de cinema e coordenador do cordão, Thiago Mendonça, afirmou que o cortejo é um grito coletivo contra a injustiça e o esquecimento.
As Mães de Maio, que são as madrinhas do Cordão, têm um papel central na mobilização, sempre à frente do ato. A fundadora do movimento, Débora Maria da Silva, enfatizou a importância do cordão como uma forma de manter viva a memória das vítimas e a luta por justiça.
Unificação com a luta palestina
Este ano, o ato foi unificado com a luta palestina, em um contexto onde palestinos também se manifestavam contra a Nakba, que completou 78 anos. Mendonça destacou que a repressão enfrentada em Israel reflete a realidade da violência policial no Brasil, criando uma conexão entre as lutas.
O percurso do ato
O ato teve início no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu em caminhada até o Al Janiah, um centro cultural e restaurante palestino na região do Bixiga. A manifestação não apenas lembrou os Crimes de Maio, mas também buscou conscientizar sobre a continuidade da violência de Estado.
Opinião
O ato na Avenida Paulista representa uma luta contínua por justiça e memória, ressaltando a importância de não esquecer as vítimas da violência estatal.





