Os ataques coordenados contra o Banco Central (BC) e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes, seguem uma cartilha elaborada pelo projeto de gestão de crise de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Documentos do chamado “Projeto DV“, aos quais a reportagem teve acesso, revelam detalhes dessa estratégia.
Os contratos com influenciadores, firmados pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, somavam R$ 8 milhões. A maior parte dos pagamentos foi interrompida após a Polícia Federal (PF) iniciar a investigação em janeiro, em resposta ao bombardeio contra o BC, que se intensificou após a rejeição da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Investigação da Polícia Federal
A PF identificou cerca de 40 perfis contratados por Vorcaro para integrar o projeto, que orientava publicações com direcionamentos específicos de acordo com o perfil de cada página. Thiago Miranda, que prestará depoimento à PF em 12 de outubro, fez pagamentos de R$ 3,5 milhões entre o fim de dezembro de 2025 e 5 de janeiro deste ano, após receber o mesmo valor da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro.
Atuação do GPS Brasília
Um dos documentos analisados menciona o site GPS Brasília, que conta com 182 mil seguidores no Instagram. O veículo deveria adotar um “tom liberal clássico” e publicar conteúdos críticos a Renato Gomes, que deixou o cargo em 31 de dezembro de 2025. O portal publicou textos como “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para o sistema financeiro” e “Saída de Renato Gomes do BC deixa indícios de um erro caro para o sistema financeiro”.
Contratos e pagamentos
O GPS Brasília firmou contrato com a Mithi no valor de R$ 100 mil mensais por um ano, mas rescindiu o acordo dez dias após a assinatura, alegando “incompatibilidades entre os conteúdos propostos e a linha editorial”. O diretor do site, Jorge Eduardo, reafirmou o compromisso com os princípios do jornalismo.
Além disso, o projeto de Vorcaro incluiu contratos com influenciadores como Luiz Bacci, que recebeu R$ 500 mil mensais por seis meses, e Not Journal, que assinou contrato de R$ 30 mil por mês. O projeto também previu a compra de 50% do Not Journal, mas a oferta de R$ 5 milhões foi recusada.
Opinião
A investigação em torno dos ataques ao Banco Central levanta questões cruciais sobre a ética e a transparência nas relações entre influenciadores e instituições financeiras, evidenciando a necessidade de um debate mais amplo sobre a responsabilidade na comunicação.





