A queda de uma das maiores araucárias do Brasil, localizada em Caçador, Santa Catarina, mobilizou uma equipe da Embrapa Florestas para coletar material genético e tentar a clonagem deste espécime centenário. A árvore, com mais de 250 anos, era a quarta maior do país, alcançando 44 metros de altura.
A araucária, carinhosamente chamada de “Pinheirão”, estava na Estação Experimental da Embrapa em Caçador. A equipe da Embrapa, em conjunto com a UFSC, avaliou a existência de brotações viáveis após a queda, que, segundo estimativas, ocorreu nas últimas semanas. O pesquisador Ivar Wendling destacou que a coleta de material deve ser realizada de cinco a dez dias após a queda, e a equipe encontrou brotações ainda viáveis.
A experiência de clonagem
O material coletado será submetido a um processo de enxertia em laboratório, que deve levar cerca de cem dias para confirmar o sucesso. De acordo com Paulo César, bolsista da equipe, o procedimento de coleta foi facilitado pelo tombamento da árvore, já que a altura dificultaria a coleta anterior.
A mobilização para o resgate do Pinheirão reflete o valor científico e emocional que a árvore representa para a comunidade local. O gerente da Estação Experimental da Epagri, Anderson Feltrim, enfatizou a importância de estudar a árvore, dada sua história e impacto na região.
Histórico de clonagem
Uma experiência anterior de clonagem de uma araucária em Cruz Machado, Paraná, serviu de referência para a operação atual em Caçador. A equipe da Embrapa Florestas já possui expertise nesse tipo de projeto, que busca preservar características genéticas raras da espécie.
Últimos registros e importância da árvore
Os últimos registros da Pinheirão foram feitos em novembro de 2025, quando o fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca documentaram a árvore para um projeto do SESC. O professor Marcelo Scipioni, da UFSC, coordena um levantamento de árvores gigantes no Sul do Brasil, contribuindo para a compreensão da magnitude e importância ambiental dessas espécies.
Impacto das mudanças climáticas
Estudos recentes indicam que mudanças climáticas, como o aumento das chuvas extremas, podem ser fatores determinantes para a queda de árvores gigantes, como a Araucaria angustifolia. O professor Scipioni alerta para a necessidade de estratégias de conservação para proteger esse patrimônio ecológico.
Opinião
A queda do Pinheirão é um lembrete da fragilidade das nossas florestas e da importância de ações proativas para garantir a preservação das espécies que compõem nosso patrimônio natural.





