Com uma trajetória acadêmica na Faculdade de Direito da USP e uma passagem como ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP) se prepara para a corrida ao governo de São Paulo. No entanto, ele enfrenta um desafio significativo: uma alta rejeição entre os eleitores, especialmente no interior do estado.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, 58% dos entrevistados afirmam que não votariam em Haddad para o governo. Em contraste, a rejeição do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), é de 38%. A pesquisa, que ouviu 1.650 pessoas entre os dias 23 e 27 de abril de 2026, apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
Desafios e Contexto Político
Haddad, que venceu Tarcísio na capital em 2022, mas perdeu no estado, carrega o peso da rejeição ao PT e à gestão do presidente Lula. Os cientistas políticos acreditam que o histórico do partido em São Paulo, que nunca venceu uma eleição ao Executivo paulista, e o perfil conservador do eleitorado contribuem para essa rejeição.
O cientista político Elias Tavares destaca que, apesar de Haddad ter um perfil técnico e acadêmico, ele não consegue estabelecer uma conexão emocional com os eleitores, principalmente os mais conservadores. Essa desconexão é amplificada pela identificação de Haddad como representante da política econômica do governo Lula, o que gera críticas em relação à inflação e à carga tributária.
Rejeição e Perspectivas Futuras
A rejeição ao PT é uma marca histórica do eleitorado paulista, e a situação de Haddad reflete essa realidade. O cientista político Eduardo Grin aponta que a vitória de Haddad na capital não se traduz em uma aceitação no interior, onde o partido enfrenta dificuldades para dialogar com um eleitorado mais conservador.
Além disso, a polarização política atual impõe novos desafios a Haddad, que, embora seja preparado e articulado, pode ter portas fechadas devido à sua identificação como petista. A pesquisa indica que 59% dos eleitores independentes não votariam nele, enquanto a rejeição a Tarcísio entre esse grupo é de 41%.
Opinião
A trajetória de Haddad reflete as complexidades da política paulista, onde a rejeição ao PT e a polarização atual podem dificultar sua trajetória rumo ao governo estadual.





