A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero em 7 de outubro de 2023, que resultou em buscas e apreensões envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A operação revelou um esquema de pagamentos de propina ao parlamentar, com valores que chegavam a até R$ 500 mil por mês.
As investigações foram impulsionadas por uma troca de mensagens entre Felipe Cançado Vorcaro, que teve sua prisão temporária decretada, e seu primo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A comunicação indicava como os pagamentos ao senador eram tratados em troca de favorecimento no Congresso Nacional.
Detalhes da Operação
A operação cumpriu dez mandados de busca e apreensão em várias localidades, incluindo os Estados de Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a operação e determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens relacionados ao esquema.
A empresa BRGD S.A., sediada em Nova Lima (MG), foi identificada como uma das principais fontes dos recursos que financiavam as mesadas a Ciro Nogueira. Segundo a investigação, a BRGD era utilizada para viabilizar repasses mensais ao senador, através de uma parceria com a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.
Reações e Defesa
A defesa de Ciro Nogueira se manifestou, afirmando que repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. O senador se colocou à disposição para colaborar com a Justiça e esclarecer sua posição nos fatos investigados.
Felipe Vorcaro, em mensagens, questionou Daniel sobre o atraso nos pagamentos e mencionou a necessidade de aporte de valores, evidenciando a pressão sobre a continuidade do esquema. A PF também apurou que Vorcaro teria oferecido ao senador um imóvel de alto padrão, além de custear despesas pessoais, incluindo viagens internacionais e estadias em hotéis de luxo.
Opinião
A gravidade das acusações e a magnitude dos valores envolvidos na Operação Compliance Zero levantam questões cruciais sobre a integridade nas práticas políticas e a necessidade de transparência nas relações entre o setor privado e o público.





