A derrubada do veto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 03/04/2026 recoloca no centro do debate a fronteira entre legislar e julgar, além de expor como o sistema penal lida com eventos que desafiam a própria democracia. A nova regra pode reduzir penas em casos específicos, mas não anistia ninguém; a lei não absolve, não perdoa, não apaga condutas e seu efeito real dependerá da forma como o Judiciário aplicará a individualização da pena.
A nova disciplina exige individualização da pena, reposicionando o método e exigindo que o Estado justifique, com precisão, quanto cada agente merece e por quê. Essa fundamentação é essencial para a legitimidade da resposta penal, um padrão reiteradamente exigido por cortes como a Corte Europeia de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
A nova disciplina penal
No direito penal, a pena não é apenas um número, mas a síntese entre fato e responsabilidade. A nova disciplina reforça que a individualização deixa de ser retórica e volta a ser uma exigência operacional. Isso implica que casos tratados de forma homogênea passam a exigir distinções finas, onde a proporcionalidade é um princípio fundamental.
Implicações da nova regra
A promessa de “redução de penas” precisa ser interpretada com cautela. A lei abre portas, mas sua aplicação será caso a caso, sem revisões em bloco. Alguns condenados poderão obter redução, especialmente aqueles com participação secundária, enquanto outros, com elementos de liderança, não verão alteração significativa.
O papel do Judiciário
O Congresso pode redefinir parâmetros, mas o Judiciário é responsável por transformar essa diretriz em resultados concretos. A nova regra não resolve o problema, mas o qualifica. O Supremo Tribunal Federal poderá controlar a aplicação da norma, garantindo que as decisões sejam fundamentadas e coerentes.
Política e direito
A derrubada do veto mostra a posição política do Congresso em questionar a proporcionalidade das respostas penais. O Legislativo redefine parâmetros, enquanto o Judiciário define os efeitos. Se houver interferência indevida no julgamento, o controle pelo Supremo será inevitável.
Opinião
A nova lei não encerra a discussão sobre a dosimetria das penas, mas a eleva, exigindo uma resposta firme e proporcional do sistema penal para eventos que tensionam a democracia.





