O abandono da Ferrovia Noroeste do Brasil, inaugurada em 1914 e privatizada em 1996 para a Rumo, está gerando polêmica e consequências legais. A ANTT aplicou uma multa à concessionária em 22 de abril após constatar o descaso com a linha férrea que se estende por um trecho de 800 km em Mato Grosso do Sul.
Desde a retirada dos trilhos em agosto de 2004, determinada pelo então prefeito André Puccinelli, a ferrovia foi completamente abandonada. A situação se agravou, e a linha, que deveria conectar Campo Grande a Três Lagoas, agora é alvo de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Investigação do MPF
O inquérito investiga a construção do condomínio Soul Corpal Living Resort, que, segundo apurações, teria ocupado parte da antiga linha férrea. A investigação questiona se a ocupação ocorreu após a aprovação de um Projeto de Interesse de Terceiros pela ANTT e se as intervenções foram realizadas sem o devido processo de desativação, configurando dano ao patrimônio público federal.
Em resposta, a Rumo alegou que não havia autorização para as obras realizadas na área. A Corpal, responsável pelo empreendimento, afirmou não ter recebido notificações sobre o inquérito e garantiu que suas atividades seguem a legislação vigente.
Histórico da Ferrovia
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil possui um histórico complexo. Com 1.622 quilômetros de extensão, a ferrovia ligava Bauru (SP) a Corumbá. O trecho em Mato Grosso do Sul, que inclui a desativação dos trens de passageiros, foi marcado por um trágico acidente em 29 de março de 1996, que resultou na morte de sete pessoas e deixou 31 feridos. Este acidente foi um dos fatores que levaram à desativação da linha no centro da cidade.
Com mais de 20 anos de abandono, a situação da ferrovia se torna uma questão de preocupação não apenas para a Rumo, mas também para as autoridades e a população local.
Opinião
A situação da Ferrovia Noroeste do Brasil revela a necessidade urgente de atenção e ação por parte das autoridades para preservar o patrimônio público e garantir a segurança da população.





