A redução planejada de 5 mil tropas dos Estados Unidos na Alemanha já era esperada, mas deve servir de impulso para que os europeus fortaleçam suas próprias defesas. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, comentou a decisão após a mais recente ação de Washington contra os países europeus.
O Pentágono anunciou na sexta-feira a redução de tropas na Alemanha, sua maior base europeia, em meio a crescentes divergências sobre a guerra no Irã e tensões tarifárias que aumentam a pressão nas relações entre Estados Unidos e Europa. O presidente Trump defende uma presença militar reduzida na Alemanha desde seu primeiro mandato e tem cobrado que a Europa assuma responsabilidade por sua própria defesa.
Pistorius ressaltou que a retirada parcial afetará a atual presença americana de quase 40 mil soldados estacionados na Alemanha. Segundo o Centro de Dados de Pessoal de Defesa dos EUA, 36.436 militares da ativa estavam na Alemanha em dezembro do ano passado. A retirada deve ser concluída em um período de 6 a 12 meses.
Reação da Alemanha e da Otan
A Alemanha está no caminho certo ao ampliar suas Forças Armadas, acelerar compras militares e construir infraestrutura, segundo Pistorius. O Pentágono não informou quais bases serão afetadas pela retirada, nem se as tropas retornarão aos EUA ou serão redistribuídas.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, expressou preocupação com a aliança da Otan, afirmando que a maior ameaça à comunidade transatlântica não são seus inimigos externos, mas a desintegração da aliança. Tusk pediu que todos façam o necessário para reverter essa tendência.
Tensões comerciais e militares
As tensões aumentam com a proposta de Trump de tarifas de 25% sobre importações de automóveis da União Europeia, que pode custar bilhões à economia alemã. Um assessor do partido CDU, do chanceler Merz, afirmou que os anúncios devem ser vistos à luz da pressão sobre Trump, tanto interna quanto externa.
A Alemanha planeja aumentar o número de soldados da Bundeswehr de 185 mil para 260 mil, embora críticos defendam um contingente ainda maior diante da percepção crescente de ameaça russa. A presença militar dos EUA na Alemanha, que começou após a Segunda Guerra Mundial, atingiu seu pico nos anos 1960.
Opinião
A redução das tropas dos EUA e a resposta da Alemanha refletem um momento crítico para a segurança europeia, onde a autossuficiência militar se torna cada vez mais necessária.





