Economia

Instituto Brasileiro revela que apostas online afetam endividamento das famílias

Instituto Brasileiro revela que apostas online afetam endividamento das famílias

Estudo revela que as apostas online exercem uma pressão maior sobre o endividamento das famílias brasileiras do que os altos juros e a expansão do crédito. Segundo dados do Banco Central, quase metade da renda dos brasileiros está comprometida em dívidas com instituições financeiras, um aumento significativo em relação a 39% em janeiro de 2019, antes da legalização das apostas.

Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, aponta que as apostas online já são o principal fator associado ao endividamento familiar no Brasil, com um impacto quase duas vezes maior do que o dos juros. O estudo mostra que, para cada aumento de 1% em apostas, o endividamento cresce 0,23%, indicando um novo risco de crédito que supera os fatores tradicionais.

O fenômeno das apostas online

O mercado de apostas no Brasil cresceu exponencialmente desde sua legalização em 2019. Em 2025, as apostas online geraram um faturamento de R$ 50,9 bilhões, com 26,4 bilhões de acessos aos sites de apostas, tornando-se o segundo destino mais visitado da internet brasileira, atrás apenas do Google.

O perfil dos apostadores brasileiros, conforme um estudo do Banco Central, mostra que a maior concentração ocorre na faixa etária de 20 a 30 anos, onde o gasto médio é de R$ 100 mensais. No entanto, entre os usuários com mais de 60 anos, o gasto médio ultrapassa os R$ 3 mil por mês, comprometendo a segurança financeira na aposentadoria.

Consequências macroeconômicas

As apostas online não apenas competem com o orçamento das famílias, mas também reduzem sistematicamente os depósitos em investimentos e aumentam a dependência de crédito para despesas correntes. Felisoni destaca que o crescimento acelerado do mercado de apostas representa um fator macroeconômico que pode ampliar a vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras.

O estudo também aponta que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família apostaram R$ 2 bilhões em um único mês, o que representa 1% do orçamento anual do programa. Apesar da arrecadação de R$ 8,82 bilhões com jogos de azar de janeiro a novembro de 2025, essa receita pode ser ilusória, pois a migração do capital de contas de investimento para apostas reduz os depósitos em corretoras, resultando em menos Imposto de Renda.

Opinião

O crescimento das apostas online traz à tona uma nova realidade econômica que exige atenção, especialmente no que diz respeito à saúde financeira das famílias brasileiras e à necessidade de regulamentação eficaz.