À medida que se aproxima o ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo, os setores mais linha-dura em Teerã demonstram entusiasmo com a ideia de uma escalada de conflitos. Os Estados Unidos e Israel eliminaram altos comandantes da Guarda Revolucionária do Irã em quase seis semanas de guerra, mas os remanescentes se preparam para uma batalha prolongada.
Uma milícia iraquiana, ligada à Guarda Revolucionária, advertiu que, se Trump cumprir suas ameaças de devastar o Irã, atacará o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, o que poderia “lançar o mundo em uma guerra energética”. A Arábia Saudita utiliza o terminal de Yanbu para exportar quase 5 milhões de barris de petróleo por dia, contornando o bloqueio iraniano do estratégico Estreito de Ormuz.
As demandas do Irã incluem garantias contra novos ataques dos EUA e de Israel, o controle sobre Ormuz e o fim das sanções econômicas. Trump, por sua vez, exige que Teerã reabra o estreito, abandone seu programa nuclear e aceite restrições ao seu programa de mísseis. A facção linha-dura no Irã, agora no poder, está relutante em fazer concessões, enquanto o grupo reformista, mais fraco, busca uma saída, acreditando que Teerã possui uma vantagem significativa.
De acordo com Sanam Vakil, diretora do programa para Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, é difícil convencer os líderes iranianos a negociar. Além disso, um funcionário europeu comentou que líderes como o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Aragchi, não têm plena compreensão do que acontece no campo militar.
A ideia de que o Irã está preparado para uma guerra longa tem dominado as mensagens internas e entre aliados. Abu Hussein Al-Hamidawi, comandante da milícia Kataib Hezbollah, afirmou que Ormuz não estará acessível aos inimigos. Já Naim Qasem, líder do Hezbollah no Líbano, pediu à população que se prepare para mais sacrifícios.
Recentemente, Esmail Qaani, comandante da unidade da Guarda Revolucionária conhecida como Força Quds, mencionou um “centro de comando unificado” com aliados, incluindo os houthis do Iémen. Para os linha-dura do Irã, prolongar a guerra é uma estratégia para piorar a imagem dos americanos.
O Irã também tem alertado os países do Golfo sobre as alianças de segurança com os EUA, afirmando que as bases americanas são um passivo. Mohammad Reza Mavalizadeh, governador da província de Khuzestan, destacou que essas bases não são apenas focos de ataque, mas também de discórdia entre nações muçulmanas.
Contrariando essa estratégia, a agressividade do Irã tem aproximado os países do Golfo dos EUA. Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, reafirmou a parceria de segurança com os EUA, afirmando que a relação será aprofundada.
Opinião
A escalada de tensões no Oriente Médio exige atenção redobrada, pois o impacto pode ser sentido globalmente, especialmente no setor energético.





