A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta segunda-feira, 6 de novembro de 2023, um estudo audacioso para os dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão. O objetivo é buscar a adoção de uma liga única, que promete revolucionar o futebol brasileiro.
Atualmente, os clubes estão divididos em dois blocos comerciais – Libra e FFU – e receberam um cronograma sugerido pela CBF. Os dirigentes têm até o fim de julho de 2024 para apresentar propostas e sugestões. A previsão da entidade é inaugurar o estatuto da futura liga até o fim de 2024.
Desafios e Comparações
Durante a reunião realizada em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a CBF destacou o “gap sistêmico” que o Brasil enfrenta em comparação às maiores ligas do mundo, como a Premier League, da Inglaterra, a La Liga, da Espanha, e a Bundesliga, da Alemanha. A receita da liga brasileira é menor que um terço da Bundesliga, que conta com 18 clubes e uma população de 84 milhões, enquanto o Brasil possui 210 milhões de habitantes e 20 clubes na liga principal.
Além disso, cerca de 140 milhões de brasileiros são torcedores de algum time, com 40 milhões considerados fanáticos por futebol. A CBF observa que o produto do futebol brasileiro está subvalorizado e tem grande potencial de crescimento.
Propostas e Prazos
O cronograma para a criação da liga única inclui a coleta de sugestões e elaboração de propostas entre maio e julho de 2026, seguidas pela apresentação, ajustes e aprovação das propostas entre agosto e setembro de 2026. A estruturação das fases de comercialização e estatuto da liga ocorrerá entre outubro e dezembro de 2026.
Um dos pontos centrais discutidos é a divisão da receita gerada pelo futebol brasileiro, que tem sido motivo de conflitos, como a recente disputa do Flamengo com a Libra. A CBF enfatiza que, antes de discutir a divisão, é preciso aumentar significativamente os valores.
Aspectos Críticos
O diagnóstico da CBF também aponta problemas como arbitragem, calendário e fair play financeiro. A entidade dividiu a pauta em 10 “dimensões do produto” do futebol brasileiro, comparando com ligas de outros países e constatando que o Brasil está sempre atrás em aspectos como calendário, tempo de jogo e infraestrutura dos estádios.
Um dado alarmante é que 80% dos jogos no Brasil são noturnos, enquanto na Inglaterra esse percentual é de apenas 25%. A CBF acredita que isso impacta negativamente a presença do público nos estádios, já que uma pesquisa recente indicou que 74% dos torcedores consideram a insegurança como um fator limitante.
Opinião
A proposta da CBF para a criação de uma liga única é um passo importante, mas os desafios são enormes. A transformação do futebol brasileiro depende de um trabalho conjunto e eficaz entre clubes e a entidade.





