Internacional

EUA e Israel aumentam riscos ambientais no Irã; ecocídio é acusado por Teerã

EUA e Israel aumentam riscos ambientais no Irã; ecocídio é acusado por Teerã

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês no último fim de semana, e um relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (Ceobs) revela que os riscos ambientais e climáticos na região estão se intensificando. A saúde pública, ecossistemas, recursos naturais e aquíferos estão sob ameaça.

Nos primeiros 30 dias de conflito, mais de 300 incidentes com danos ambientais foram registrados, afetando não só o Irã, mas também países vizinhos como Iraque, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita. O relatório destaca que a continuidade do conflito pode agravar ainda mais a situação.

Impactos Ambientais e Riscos Nucleares

O estudo do Ceobs aponta que os ataques às instalações industriais e comerciais estão liberando poluentes perigosos, como metais pesados e produtos tóxicos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) expressou sua preocupação, afirmando que um cessar-fogo é urgentemente necessário para proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma, declarou: “O impacto ambiental deste conflito é imediato e severo”. A situação se complica com os ataques a instalações nucleares em Natanz e Bushehr, que levantam riscos nucleares significativos.

Acusações de Ecocídio

O Irã e o Líbano acusam Israel de cometer ecocídio, uma destruição maciça e duradoura do meio ambiente. Em uma declaração oficial, o Irã afirmou que os ataques aos reservatórios de combustível de Teerã se enquadram na definição de crime ambiental, responsabilizando tanto Israel quanto os EUA.

Consequências Globais

Os danos à infraestrutura de combustíveis fósseis estão afetando globalmente os preços de gás e fertilizantes. Dados indicam que a guerra no Irã resultou na emissão de 5 milhões de toneladas de CO2 em apenas 14 dias. Se o conflito persistir, as emissões mensais podem ultrapassar 10 milhões de toneladas.

O professor Wagner Ribeiro, da Universidade de São Paulo, alerta que a guerra não só prejudica a infraestrutura do inimigo, mas também agrava as emissões de gases do efeito estufa.

Opinião

A crescente gravidade da situação ambiental no Irã exige uma resposta imediata da comunidade internacional, priorizando o diálogo e a paz em vez da escalada do conflito.