O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou em 26 de outubro de 2023 uma nova política que exclui atletas transgêneros e a maioria das atletas intersexo das competições femininas a partir dos Jogos Olímpicos de 2028. Esta decisão marca um retorno à prática de testes genéticos de feminilidade, abandonados há quase 30 anos.
A nova regra determina que a participação nas categorias femininas será restrita a pessoas do sexo biológico feminino que não possuam o gene SRY. A medida revoga as diretrizes de 2021 que permitiam que cada federação definisse suas próprias políticas de inclusão.
Critérios de Isenção e Aplicação da Medida
Atletas que conseguirem comprovar sua insensibilidade total aos andrógenos poderão ser isentos da nova política. No entanto, esse exame é complexo e caro, exigindo testes de saliva, raspado bucal ou amostra de sangue. A responsabilidade pela realização dos testes ficará a cargo das federações internacionais e instituições esportivas nacionais.
Vale destacar que a nova política não é retroativa, o que significa que medalhas já conquistadas, como a de ouro da boxeadora argelina Imane Khelif, não serão afetadas. Khelif, que reconheceu ser portadora do gene SRY, defendeu sua identidade feminina após questionamentos.
Reações e Críticas
A medida, que já está em vigor em três modalidades — atletismo, boxe e esqui —, enfrenta críticas de diversos setores. Cientistas, especialistas jurídicos e organizações de direitos humanos manifestaram preocupações sobre a validade e a ética dos testes genéticos. Um editorial no British Journal of Sports Medicine descreveu a nova política como um “anacronismo desastroso”, afirmando que não há evidências científicas que comprovem vantagens atléticas para indivíduos intersexo.
A presidente do COI, Kirsty Coventry, que assumiu o cargo em março de 2025, está sob pressão para lidar com as questões contemporâneas do esporte feminino, que incluem desigualdade de financiamento e disparidade salarial de gênero.
Opinião
A nova política do COI levanta questões importantes sobre inclusão e equidade no esporte, refletindo um debate mais amplo sobre os direitos de todos os atletas.





