A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), de abandonar a corrida presidencial em 23/03/2026, redesenha o cenário eleitoral de 2026 e muda o equilíbrio da chamada ‘terceira via’. Agora, o PSD terá que escolher entre dois projetos distintos: um mais à direita, representado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e outro mais a centro-esquerda, capitaneado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
O cientista político Antonio Lavareda destaca que, com a saída de Ratinho, o partido passa de três para dois governadores postulantes, cada um com apelos claros. Caiado enfatiza o combate à criminalidade, enquanto Leite se associa à responsabilidade fiscal e à reconstrução administrativa.
O impacto da desistência de Ratinho
A decisão de Ratinho foi interpretada como um movimento calculado para preservar seu capital político local e evitar riscos desnecessários em uma disputa nacional incerta. A cientista política Letícia Mendes acredita que ele percebeu um ambiente adverso e optou por não comprometer sua base no Paraná.
Além disso, a filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) aumentou os riscos sobre a sucessão local, levando Ratinho a priorizar seu estado. A desistência pode ser vista como uma estratégia para manter seu legado e evitar um isolamento político.
Caiado e Leite: A disputa interna no PSD
Com a saída de Ratinho, Ronaldo Caiado se torna o nome mais competitivo do PSD, mas enfrenta desafios externos. Ele pode ser visto como uma alternativa à direita, mas precisa conquistar a confiança dos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, Eduardo Leite se posiciona como uma opção de centro, mas sua viabilidade é questionada. De acordo com a pesquisa Quatest, Leite tem apenas 3% nas intenções de voto, enquanto Ratinho tinha 7% e Caiado 4%.
O futuro do PSD
Apesar da saída de Ratinho Junior, o PSD reafirmou que terá uma candidatura própria para a presidência. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, declarou que o partido apresentará uma “melhor via” como alternativa à polarização.
A estratégia de manter uma candidatura própria pode ser uma forma de valorização do partido, ampliando seu poder de barganha para o segundo turno, conforme analistas políticos.
Opinião
A saída de Ratinho Junior da corrida presidencial revela a fragilidade do cenário político atual e a importância de decisões estratégicas em tempos de incerteza.





