Uma pesquisa do Datafolha, divulgada no último domingo (15), revelou que 71% dos brasileiros são a favor do fim da escala de trabalho 6×1, onde o trabalhador atua por seis dias e descansa apenas um. Apesar do forte suporte popular, especialistas alertam para os potenciais impactos econômicos dessa mudança.
O levantamento, realizado entre os dias 3 e 5 de março de 2026, ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais. O apoio à alteração aumentou em relação à pesquisa anterior, que indicava 64% de apoio à redução da jornada semanal.
Impactos Econômicos Previstos
Entidades patronais expressam preocupação com os custos que a mudança pode acarretar. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a alteração poderia gerar um custo adicional de R$ 178 bilhões a R$ 267 bilhões por ano para as empresas, resultando em um aumento de até 7% na folha de pagamentos.
Além disso, a Fecomércio aponta que a mudança sem um aumento na produtividade pode resultar em um aumento de 22% nos custos operacionais, o que levaria a uma retração nas contratações e ao repasse de preços ao consumidor.
Empregos em Risco
O impacto sobre o emprego formal também é uma preocupação. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) afirma que das 57,8 milhões de empregos formais, cerca de 31,5 milhões seriam diretamente afetados, principalmente no varejo e atacado, onde a maioria dos trabalhadores já atua acima de 40 horas semanais.
A adequação à nova jornada pode custar R$ 122,4 bilhões ao ano para o comércio e R$ 235 bilhões no setor de serviços, com um possível repasse ao consumidor que pode chegar a 13%.
Divisão de Opiniões
Embora 39% dos entrevistados acreditem que o fim da escala 6×1 traria resultados positivos para as empresas, um número igual avalia que as consequências seriam negativas. A percepção sobre os efeitos econômicos da medida é, portanto, bastante polarizada.
Opinião
A discussão sobre o fim da escala 6×1 revela um dilema entre a busca por melhores condições de trabalho e os desafios econômicos que o país enfrenta. O equilíbrio entre esses interesses é essencial para um futuro sustentável.






