O avanço das investigações do escândalo do Banco Master colocou o combate à corrupção no centro da disputa eleitoral de 2026. Nas últimas semanas, o tema ganhou destaque em pesquisas de opinião e no debate político, impulsionado por denúncias de desvios de recursos e sequestro do Estado por grupos criminosos.
O caso Master é visto, aos olhos do eleitor, como um dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, com suspeitas envolvendo autoridades dos Três Poderes da República. A crise abala a confiança em instituições republicanas, como o Banco Central (BC) e o Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a presença de políticos considerados antissistema.
Preocupação com a corrupção cresce entre eleitores
Pesquisas recentes mostram que a corrupção é o principal problema do país, sendo citada por 54,3% dos eleitores. Em uma pesquisa da Genial/Quaest, a preocupação com corrupção subiu de 17% para 20% em março de 2026, tornando-se a segunda maior preocupação nacional.
Para especialistas, o sentimento anticorrupção será um fator decisivo nas eleições de 2026. O cientista político Antônio Flávio Testa afirma que o caso Master pode gerar repercussões mais graves do que escândalos anteriores, como o mensalão e o petrolão, devido às ligações com os Três Poderes e o crime organizado.
Partido Novo se destaca na agenda anticorrupção
No cenário político, o partido Novo se tornou o mais associado à agenda anticorrupção. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) liderou a cobrança pela instalação da CPI do Banco Master, com 51 assinaturas em apoio ao requerimento. Girão tem se posicionado como um defensor da apuração e punição de envolvidos no escândalo.
A Lava Jato, deflagrada em 2014, ainda é lembrada como o maior símbolo do combate à corrupção no Brasil, embora tenha enfrentado um colapso nos últimos anos, com decisões do STF que anularam condenações importantes e resultaram na cassação do mandato de Deltan Dallagnol em 2023.
Sentimento anticorrupção pode favorecer a oposição
Analistas concordam que o retorno do tema da corrupção favorece mais a oposição, especialmente candidatos de direita. O presidente Lula tenta se posicionar como um combatente dos “magnatas do crime”, mesmo que o caso Master o desgaste. O professor Elton Gomes ressalta que, embora o sentimento anticorrupção pressione a campanha, não há garantia de que isso reproduza os efeitos das eleições anteriores.
Opinião
O caso Master traz à tona a necessidade urgente de um debate sério sobre corrupção no Brasil, refletindo a insatisfação dos eleitores e a busca por uma política mais transparente e ética.






