Política

Haddad deixa Fazenda com dívida pública explosiva e legado de ‘Taxad’

Haddad deixa Fazenda com dívida pública explosiva e legado de 'Taxad'

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está prestes a deixar o cargo alegando “missão cumprida”. Sua saída ocorre em meio a pressões sobre seu futuro político e a expectativa de sua candidatura ao governo de São Paulo nas eleições de outubro. O legado de Haddad, no entanto, é marcado por um aumento significativo da dívida pública, que subiu de 71,7% do PIB em 2023 para alarmantes 79% do PIB em novembro de 2025.

Dívida Pública em Ascensão

As projeções para 2026 indicam que a dívida pode alcançar 81,7% do PIB, enquanto as expectativas de mercado são ainda mais preocupantes, prevendo uma dívida de até 84,9% do PIB. Essa trajetória explosiva da dívida é atribuída à falta de controle dos gastos públicos e à implementação de uma regra fiscal considerada frágil, aprovada pelo Congresso Nacional.

Aumento de Impostos e Imagem de ‘Taxad’

Durante sua gestão, Haddad se destacou por sua agenda de aumento de impostos, consolidando sua imagem como o ministro “Taxad”. O aumento da arrecadação se tornou central na condução de sua política fiscal, mas gerou um alto custo político. O déficit primário, que era de 0,48% do PIB, foi ajustado para 0,10% do PIB, em parte devido a ajustes contábeis e exclusão de despesas do cálculo da meta.

Desafios e Críticas

Haddad enfrentou diversas crises políticas, incluindo a polêmica em torno do Pix e a tentativa de aumento de impostos por decreto, que gerou forte resistência no Congresso. A combinação de tentativas de contenção de gastos e alívio tributário criou a percepção de que o governo “dava com uma mão e tirava com a outra”, desgastando ainda mais sua imagem.

Legado Ambíguo

Embora a gestão de Haddad tenha conseguido reorganizar a base de arrecadação do governo federal e avançado em reformas tributárias, o legado é considerado ambíguo. O superávit primário de 2026 foi estabelecido em 0,25% do PIB, mas transferiu o custo do ajuste para o próximo governo, deixando uma herança de desafios fiscais e uma dívida pública em ascensão.

Opinião

A saída de Haddad marca um momento crítico na política fiscal brasileira, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais robusta para garantir a sustentabilidade das contas públicas.