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Psicólogas revelam como ataques online afetam a saúde mental das mulheres

Psicólogas revelam como ataques online afetam a saúde mental das mulheres

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, traz à tona discussões sobre desigualdade de gênero e as diversas formas de violência digital que as mulheres enfrentam. Nos últimos anos, os ataques direcionados ao público feminino nas redes sociais têm se tornado cada vez mais frequentes, refletindo desigualdades sociais já existentes.

Comentários misóginos e tentativas de descredibilizar opiniões são apenas algumas das formas de agressão que ocorrem no ambiente digital. Para entender os efeitos dessa violência no cérebro e no bem-estar emocional das vítimas, o TechTudo consultou duas especialistas: Erica Lopes Rodrigues, psicóloga e professora de Saúde Mental na DomEduc, e Brunna Dolgosky, psicóloga e hipnoterapeuta.

A normalização da violência digital

A violência contra as mulheres não surge apenas no ambiente digital, mas reflete desigualdades sociais. Erica Lopes Rodrigues destaca que a internet não é um espaço neutro, mas sim um reflexo de valores e conflitos sociais. “Basta observar alguns movimentos que ganharam força nas redes, como certos grupos da chamada ‘red pill’, que defendem papéis extremamente rígidos para homens e mulheres”, afirma.

Ela acrescenta que “mulheres são mais punidas quando se posicionam, especialmente em temas tradicionalmente masculinos, o que resulta em ataques que tentam deslegitimar sua presença e opinião”.

Impacto no cérebro diante de ataques online

Os comentários hostis ativam áreas cerebrais relacionadas à dor e ao estresse. Brunna Dolgosky explica que o assédio digital provoca uma resposta emocional intensa, pois o cérebro interpreta a rejeição social como uma ameaça real. “Quando alguém sofre humilhação pública, áreas como o córtex cingulado anterior são ativadas, provocando sentimentos de vergonha e insegurança”, afirma.

Além disso, a exposição a ataques online pode levar a sintomas de ansiedade e depressão, afetando a autoestima e desencadeando respostas emocionais desproporcionais. Isso ocorre porque o cérebro não diferencia completamente uma ameaça física de uma ameaça social intensa.

Por que o impacto é maior em mulheres?

Erica Lopes Rodrigues ressalta que a violência contra a mulher é estrutural e se intensifica no ambiente digital. “A internet acaba ampliando o que já acontece fora dela, como ataques sexualizados e misóginos”, explica. Muitas mulheres já têm um histórico de experiências anteriores de violência, o que intensifica o impacto emocional de novos episódios.

Consequências psicológicas dos ataques

Os comentários agressivos podem provocar mudanças emocionais significativas. Brunna Dolgosky observa que a exposição constante a críticas hostis cria um ambiente psicológico de ameaça, levando ao aumento da ansiedade e ao desenvolvimento de sintomas depressivos.

Esse processo pode resultar em comportamento de autoproteção, como a redução de postagens e a autocensura, fazendo com que muitas mulheres evitem expressar suas opiniões por medo de julgamento.

Opinião

A violência digital contra mulheres é um reflexo das desigualdades sociais que persistem, e é fundamental que a sociedade reconheça e combata esses ataques, promovendo um ambiente online mais seguro e respeitoso.