A Operação Contenção, liderada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em outubro de 2025, resultou em 122 mortes e gerou imagens chocantes de corpos em uma rua do bairro da Penha, na zona norte. O impacto na segurança pública foi considerado inútil, de acordo com o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), publicado em 6 de dezembro de 2025.
No documento, a CIDH afirma que a operação, longe de enfraquecer o crime organizado, aprofundou o sofrimento da comunidade e elevou a violência estatal a um novo patamar de gravidade. A operação foi denunciada como uma ‘chacina’ por moradores e organizações, que relataram pânico e intenso tiroteio, fechando escolas e comércios.
Resultados e Consequências
Com 2,5 mil policiais envolvidos, a operação resultou em 113 prisões, incluindo 33 de outros estados, além da apreensão de 118 armas e 1 tonelada de droga. Apesar desses números, a CIDH destaca que o aumento de mortes não se traduz em redução da criminalidade, evidenciando a ineficácia do modelo de segurança pública adotado.
O relatório também aponta deficiências nas investigações relacionadas à operação, como a falta de preservação de cenas de crime e fragilidades na independência pericial. Para a CIDH, é essencial implementar mudanças profundas nas políticas de segurança pública, priorizando estratégias de prevenção e inclusão.
Recomendações da CIDH
Entre as recomendações feitas pela CIDH, estão a necessidade de fortalecer o controle sobre o tráfico de armas, revisar os protocolos das forças de segurança e garantir investigações independentes sobre as mortes ocorridas durante a operação. A comissão enfatiza que a reforma legislativa é crucial para garantir a federalização automática de investigações de chacinas policiais.
Opinião
A condenação da CIDH à Operação Contenção evidencia a urgência de uma reflexão profunda sobre as políticas de segurança pública no Brasil, que devem priorizar a vida e os direitos humanos.






