Política

Deputado Lucas de Lima busca sepultamento digno para animais em jazigos familiares

Deputado Lucas de Lima busca sepultamento digno para animais em jazigos familiares

Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) busca permitir que animais sejam sepultados em jazigos familiares nos cemitérios tradicionais de humanos. A proposta, de autoria do deputado Lucas de Lima (sem partido), está atualmente em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).

O projeto considera como animais de estimação aqueles que estabelecem um vínculo afetivo com a família, incluindo cães, gatos e outros animais domésticos. A proposta visa permitir que esses animais sejam sepultados junto aos seus tutores ou outros membros da família no jazigo familiar, mediante solicitação do titular e consentimento dos demais cotitulares.

Requisitos para o sepultamento

Para que o sepultamento ocorra, será necessária a apresentação de uma declaração de óbito emitida por um médico-veterinário, além do acondicionamento adequado do corpo, conforme a regulamentação da vigilância sanitária. O projeto também estabelece a necessidade de destinação segura dos resíduos do sepultamento, visando a prevenção de impactos ambientais no solo e nas águas subterrâneas.

Além disso, a proposta prevê que os cemitérios possam criar espaços memoriais, como placas e jardins, além de memoriais digitais, para que as famílias possam preservar a memória de seus animais de estimação. Vale ressaltar que essa prática já foi autorizada em municípios como São Paulo e Rio de Janeiro.

Justificativa do projeto

Na justificativa, Lucas de Lima menciona dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), que indicam que o Brasil possui aproximadamente 168 milhões de animais de estimação, sendo o segundo maior mercado pet do mundo. O deputado argumenta que muitos animais são considerados membros da família, o que justifica a necessidade de regulamentação para um sepultamento digno.

O parlamentar também ressalta que a falta de regulamentação atual leva ao descarte inadequado de animais mortos, o que gera riscos ambientais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que até 30% dos resíduos de origem animal descartados de forma inadequada podem contaminar o solo e os lençóis freáticos.

Além disso, pesquisas mostram que o luto pela perda de um animal de estimação é comparável ao luto por familiares humanos, reforçando a necessidade de políticas públicas que respeitem a realidade emocional das famílias tutoras.

Impacto econômico e social

O projeto também aborda o impacto econômico, destacando que a economia pet movimentou mais de R$ 60 bilhões em 2023 no Brasil. Isso evidencia a centralidade dos animais de estimação nas famílias e o potencial positivo que a regulamentação pode trazer para o setor funerário, criando novos serviços e empregos.

Caso receba parecer favorável na CCJR, o projeto de lei seguirá para discussão e votação no plenário.

Opinião

A proposta de Lucas de Lima reflete uma mudança importante na forma como a sociedade brasileira enxerga a relação com os animais de estimação, reconhecendo seu valor emocional e a necessidade de um tratamento digno após a morte.