A guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de outubro, trouxe incertezas sobre a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de 2026. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, declarou que não há esperança de disputar o torneio diante do cenário atual de conflito.
Em declaração à televisão estatal, Taj afirmou: “O que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não podemos ter esperança de participar da Copa do Mundo”. Além disso, a federação anunciou a suspensão do campeonato nacional do Irã.
O caminho do Irã na Copa
A seleção do Irã, conhecida como Team Melli, garantiu sua vaga para a sétima participação em Copas do Mundo em março de 2022. O time está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas programadas para Los Angeles e Seattle.
Los Angeles, que abriga uma grande comunidade iraniana desde a Revolução Islâmica de 1979, é um local simbólico para a diáspora iraniana, que apoiava a antiga dinastia Pahlavi.
Posição da FIFA
A FIFA tem se mostrado cautelosa diante do cenário. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, afirmou que é prematuro comentar sobre a situação, mas garantiu que a organização está atenta aos desdobramentos. Até o momento, não houve conversas formais com a federação iraniana sobre uma possível desistência.
Com a contagem regressiva de 100 dias para a abertura da Copa, que será em 3 de janeiro de 2026, a situação se torna ainda mais delicada para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que busca manter uma relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Regulamentos da Copa de 2026
Os regulamentos da Copa de 2026 não preveem expressamente a possibilidade de boicote por parte de seleções já classificadas. O Artigo 6º estabelece que, em caso de retirada por força maior, a FIFA decidirá sobre a substituição da equipe por outra associação membro. Caso o Irã não participe, a vaga provavelmente será ocupada por outra seleção asiática.
Atualmente, oito equipes do continente estão classificadas, e uma nona poderá garantir vaga se o Iraque vencer a repescagem contra Bolívia ou Suriname em 31 de março.
Precedentes de boicote
Embora boicotes tenham ocorrido em Jogos Olímpicos, como em Moscou-1980 e Los Angeles-1984, não há precedentes semelhantes em Copas do Mundo. Em 1950, seleções desistiram por motivos diversos, e na Eurocopa de 1992, a Iugoslávia foi substituída pela Dinamarca devido à guerra nos Bálcãs.
Opinião
A situação do Irã na Copa do Mundo de 2026 levanta questões importantes sobre a relação entre esporte e política, refletindo os impactos de conflitos internacionais no mundo do futebol.






