Economia

Márcio Pochmann enfrenta crise no IBGE com exonerações e suspeitas de manipulação

Márcio Pochmann enfrenta crise no IBGE com exonerações e suspeitas de manipulação

À frente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2023, o presidente Márcio Pochmann enfrenta uma intensa crise interna que ameaça a credibilidade da instituição. A situação se agravou com a exoneração de Rebeca Palis, coordenadora da área responsável pelo cálculo do PIB, em 19 de janeiro de 2026. Este evento gerou descontentamento entre servidores e levantou suspeitas sobre a manipulação de dados.

A exoneração de Palis foi apenas o início de um tumulto maior. Após sua saída, três integrantes da equipe deixaram suas funções em solidariedade, intensificando a crise em uma das áreas mais críticas do IBGE. Essa turbulência levou a Associação dos Servidores do IBGE (Assibge) a emitir uma nota desmentindo qualquer interferência metodológica, reafirmando que as críticas se dirigem à gestão, e não à produção técnica dos dados.

Reações e Acusações

O clima de desconfiança se espalhou rapidamente, especialmente às vésperas da divulgação do crescimento econômico do Brasil, prevista para 3 de março de 2026. O analista institucional Cristiano Noronha destacou que a credibilidade do IBGE é crucial e que episódios como esse geram um desgaste significativo.

Em uma carta aberta, servidores do IBGE denunciaram ações de represália e pediram apoio público à autonomia da instituição. As exonerações de Ana Raquel Gomes da Silva em 28 de janeiro de 2026 e outras demissões foram vistas como parte de uma gestão autoritária de Pochmann, que já havia enfrentado críticas por sua condução no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Orçamento e Sustentabilidade

Com mais de 90% do orçamento do IBGE consumido pela folha de pagamento, a criação da Fundação IBGE+ foi suspensa pela Advocacia-Geral da União, aumentando as preocupações sobre a sustentabilidade financeira do instituto. Servidores questionam a necessidade de parcerias externas, como a firmada com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), para um programa que visa reforçar a soberania de dados.

Opinião

A crise no IBGE reflete a fragilidade de instituições essenciais em momentos de incerteza política e econômica. A preservação da credibilidade do IBGE é vital para a confiança nas estatísticas que moldam a realidade do país.