Política

Gilmar Mendes e Flávio Dino enfrentam supersalários de novatos do MPMS

Gilmar Mendes e Flávio Dino enfrentam supersalários de novatos do MPMS

Dados da transparência do Ministério Público revelam que até promotores novatos, com menos de quatro meses de atuação, recebem salários acima do teto constitucional, fixado em R$ 46,3 mil. O salário-base pago aos nove promotores nomeados em novembro foi de R$ 33.988,99, mas com auxílios, como acúmulo de acervo e licença compensatória, o total chega a quase R$ 63 mil.

Os promotores novatos são considerados os “primos pobres” entre os membros ativos da instituição. Um promotor substituto da comarca de Amambai teve rendimento bruto de R$ 130 mil em janeiro, sendo R$ 84,1 mil classificados como “outras remunerações temporárias/retroativas”. Isso demonstra como os pagamentos são estruturados para contornar o teto constitucional.

No total, os 233 membros ativos do MPMS tiveram rendimento médio de R$ 150 mil em janeiro, enquanto a média salarial dos procuradores foi de R$ 200 mil. Um procurador chegou a receber mais de R$ 255 mil no mesmo mês.

Decisões Impactantes

Contudo, esses pagamentos estão com os dias contados. O ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal determinou um prazo de 60 dias para a suspensão de pagamentos de “penduricalhos” a integrantes do Judiciário e do Ministério Público, que se baseiam em leis estaduais e atos administrativos considerados ilegais.

A decisão também se aplica à Justiça Federal e ao Ministério Público da União, permitindo apenas o pagamento de verbas expressamente previstas na legislação federal. Mendes criticou a criação de verbas que visam driblar o descumprimento da Constituição, chamando a situação de “desordem” e “audácia institucional”.

Ação do Ministro Flávio Dino

O ministro Flávio Dino também se posicionou contra os supersalários, proibindo a edição de novas leis que autorizem o pagamento de parcelas que ultrapassem o teto constitucional. Dino descreveu o cenário atual como uma “mixórdia” de pagamentos, enfatizando que é um dever de quem lida com dinheiro público agir dentro dos limites da Constituição.

Opinião

A situação dos supersalários no MPMS levanta questões importantes sobre a ética e a responsabilidade no uso de recursos públicos, mostrando a necessidade de uma reforma que garanta a equidade salarial.