A atividade econômica da Argentina apresentou um crescimento de 4,4% no acumulado de 2025, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) em 24 de janeiro de 2025. Este resultado é visto como um sinal positivo para o segundo ano de mandato do presidente Javier Milei, que está em busca de consolidar uma recuperação econômica consistente.
Setor agrícola se destaca
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho do setor agrícola, que cresceu 32%, destacando-se pela produção recorde de trigo. Em comparação com dezembro de 2024, a atividade avançou 3,5%, após uma leve retração de 0,3% em novembro. Segundo Kevin Sijniensky, analista econômico da consultoria Econviews, esse resultado foi influenciado pela colheita de trigo e deixou um bom rastro estatístico para o ano.
Desafios no setor industrial
Por outro lado, a indústria de transformação enfrentou um recuo de 3,9%, enquanto o comércio atacadista e varejista também teve uma queda de 1,3%. Apesar do crescimento geral, analistas alertam que o cenário é de recuperação gradual e desigual. A inflação permanece elevada e a política monetária continua restritiva, o que impede uma expansão mais ampla da atividade econômica.
Reforma trabalhista em pauta
O governo de Milei propõe uma ampla reforma trabalhista, que visa impulsionar a economia e gerar mais empregos formais. No entanto, essa proposta enfrenta forte oposição de sindicatos, que alegam que as mudanças podem revogar direitos trabalhistas essenciais. Juan Pablo Ronderos, sócio da consultoria MAP, observa que a heterogeneidade entre os setores é significativa, o que pode impactar o emprego e o consumo.
Opinião
O crescimento da economia argentina é um sinal positivo, mas os desafios estruturais e a resistência à reforma trabalhista indicam que o caminho para uma recuperação sustentável ainda é longo.
