Santa Catarina

Ministério da Saúde revela como desinformação quase derrotou vacinação em 1976

Ministério da Saúde revela como desinformação quase derrotou vacinação em 1976

Este artigo traz um relato histórico sobre a negação da ciência e reforça a importância das campanhas do Sistema Único de Saúde (SUS), do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e das vacinas disponíveis atualmente. Em 1976, durante o regime militar, o Brasil enfrentava uma das maiores campanhas sanitárias de sua história: a vacinação nacional contra a poliomielite.

O rádio era o principal meio de comunicação de massa, enquanto a televisão ampliava seu alcance e os jornais impressos pautavam o debate público. A mobilização era coordenada pelo Ministério da Saúde por meio do PNI, criado em 1973. Naquele período, a poliomielite ainda deixava milhares de crianças com sequelas permanentes no país. Contudo, junto à informação oficial, espalhava-se a chamada “rádio corredor”. Boatos religiosos afirmavam que a vacina carregaria “a marca da besta 666”.

O depoimento: quando a ciência prevaleceu

Em minha casa, éramos seis crianças, entre zero e doze anos. Meu pai, líder de comunidade de base da Igreja Católica, conduzia rezas nas casas dos vizinhos. Na sexta-feira anterior ao dia nacional de vacinação, um parente alertou minha mãe para que não vacinasse os filhos. No sábado pela manhã, meu pai decidiu confiar na ciência. Colocou todos na velha Rural e fomos ao posto. A fila era extensa. A aplicação era feita por injetores de pressão, tecnologia utilizada à época para agilizar campanhas em massa. Duas semanas depois, um primo que não tomou a vacina contraiu poliomielite. A doença quase o matou e ele ficou paraplégico da cintura para baixo.

Erradicação da poliomielite e fortalecimento do SUS

A decisão de vacinar fez diferença. Com a Constituição de 1988, o Brasil instituiu o SUS, consolidando a saúde como direito social e dever do Estado. O fortalecimento do SUS e do PNI permitiu ao Brasil alcançar elevadas coberturas vacinais. Em 1994, o país recebeu certificação internacional de eliminação da poliomielite nas Américas, resultado de política pública estruturada, logística nacional e adesão da população.

Vacinas disponíveis atualmente no SUS

O calendário vacinal brasileiro é um dos mais abrangentes do mundo, incluindo vacinas como Influenza (gripe), dT (difteria e tétano), Dengue e Tríplice Viral. A aplicação anual da vacina contra a gripe reduz hospitalizações e complicações respiratórias, especialmente em idosos e grupos de risco.

Desinformação em saúde: consequências sanitárias e jurídicas

A disseminação deliberada de desinformação pode resultar em consequências sanitárias, como a queda da cobertura vacinal e o retorno de doenças controladas. Além disso, pode haver aumento de hospitalizações e sequelas permanentes evitáveis. As consequências jurídicas incluem responsabilidade civil por danos e responsabilização administrativa de agentes públicos.

Opinião

Vacinação não é pauta ideológica; é política pública baseada em evidência científica. A história já demonstrou que entre o medo e a ciência, o caminho que preserva vidas é claro.