Santa Catarina

Cargill enfrenta protestos indígenas em Santarém após desocupação determinada pela Justiça

Cargill enfrenta protestos indígenas em Santarém após desocupação determinada pela Justiça

Um grupo de indígenas ocupou, na madrugada de 21 de outubro de 2023, o escritório do terminal que a multinacional Cargill opera no Porto de Santarém, no Pará. Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o ato é parte de uma série de protestos que duram mais de um mês contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Protestos e reações

Enquanto representantes de comunidades indígenas paraenses e mato-grossenses ligadas à Cita bloqueavam o acesso ao terminal, em São Paulo, ambientalistas e integrantes de entidades sociais protestavam diante do escritório central da Cargill, bloqueando duas faixas da Avenida Chucri Zaidan. A multinacional classificou as ações como “violentas” e afirmou que os manifestantes bloqueavam o acesso de caminhões ao terminal, apesar de a Justiça já ter determinado a desocupação da área.

Em nota, a Cargill informou que, devido à iminente ocupação do terminal, seus funcionários buscaram abrigo em um local seguro. Não há registros de feridos, e a empresa está verificando possíveis danos a máquinas ou equipamentos. A companhia segue em contato com as autoridades para garantir uma desocupação ordeira e segura.

Indignação e reivindicações

O Cita expressou indignação nas redes sociais, afirmando que a ocupação foi motivada pela não revogação do Decreto nº 12.600, que ameaça a qualidade da água, a pesca e a soberania alimentar. A entidade cobra explicações sobre os critérios para a privatização dos rios e exige a realização de estudos sobre os impactos sociais e ambientais dos empreendimentos.

“Permaneceremos mobilizados até que haja compromisso concreto com a revogação do Decreto nº 12.600 e com a garantia de consulta prévia”, concluiu a Cita.

Compromissos do governo

A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que está acompanhando a mobilização dos povos indígenas e reafirmou o compromisso de consultar as comunidades sobre os impactos sociambientais. O governo também anunciou a suspensão da dragagem do Rio Tapajós em 6 de outubro de 2023, como um “gesto de negociação”.

Além disso, o governo federal se comprometeu a criar um grupo de trabalho interministerial para discutir os processos de consulta prévia às comunidades afetadas e a apresentar um cronograma para as consultas.

Opinião

Os protestos em Santarém evidenciam a tensão entre desenvolvimento econômico e direitos indígenas, refletindo a necessidade de diálogo e respeito às comunidades afetadas.