A Maridt Participações, empresa de participações imobiliárias do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma polêmica após revelações sobre sua criação e transações. A empresa, que tem um capital social de apenas R$ 150, foi estabelecida a partir de um CNPJ de prateleira, permitindo uma abertura rápida e com menos burocracia.
Transferência e negócios milionários
A Maridt foi criada em agosto de 2020 e transferida para os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, em setembro do mesmo ano. Desde então, a empresa passou a participar de negócios relacionados ao resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Em 2025, a empresa vendeu sua participação no resort por R$ 3,5 milhões.
Estrutura e sigilo
O uso de um CNPJ de prateleira é uma prática comum para quem busca agilidade na abertura de empresas, segundo o empresário André Luis Fonseca Sérgio. Ele afirmou que esse modelo elimina a necessidade de comparecimento presencial em bancos, o que pode ser considerado uma etapa burocrática. A sede da Maridt está registrada em uma casa simples na cidade de Marília, SP.
Reações e legislação
Após as revelações, Toffoli não comentou sobre o uso do CNPJ de prateleira ou os detalhes da abertura da empresa. Em nota, ele afirmou que a legislação permite que magistrados sejam sócios e recebam dividendos, desde que não atuem na gestão. O nome do ministro não constava inicialmente nos registros públicos, devido ao formato de sociedade anônima, que oferece maior sigilo sobre os acionistas.
Opinião
A situação envolvendo a Maridt Participações e o ministro Dias Toffoli levanta questões sobre a transparência e a ética na relação entre o setor público e privado, especialmente em transações de alto valor.
