Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram recursos no Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, fecharam o ano de 2025 com um rombo de R$ 1,6 bilhão, conforme levantamento do Ministério da Previdência Social. Segundo uma apuração da GloboNews, 18 fundos públicos aplicaram, ao todo, R$ 1,86 bilhão em letras financeiras do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Essas aplicações não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e são consideradas de alto risco para fundos previdenciários. Entre os maiores déficits, destaca-se a Amprev, previdência do Amapá, com R$ 394,9 milhões relacionados às contribuições de servidores militares. Recentemente, o diretor-presidente da entidade, Jocildo Lemos, e outros dois integrantes do comitê de investimentos foram alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema supostamente fraudulento envolvendo o Banco Master.
Entre os fundos municipais, o IPREM de Santa Rita do Oeste (SP) apresenta um déficit de R$ 988,4 mil, enquanto o PreviPaulista, de Paulista (PE), acumula R$ 222,7 mil em resultado negativo. Outros fundos que enfrentam déficits incluem o Araraprev de Araras (R$ 72,4 milhões), o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (R$ 124,8 milhões) e o Maceió Previdência (R$ 299,4 milhões).
Entre os fundos estaduais, o Rioprevidência do Rio de Janeiro registra R$ 16,7 milhões de déficit entre servidores civis e R$ 8,7 milhões entre militares. O Amazonprev aponta R$ 751,1 milhões de resultado negativo entre contribuições de servidores civis. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, esses valores se tornaram parte da massa de credores do banco, sem garantia de ressarcimento integral, colocando em risco o equilíbrio atuarial dos fundos e a capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões.
No início de fevereiro, o Ministério da Previdência decidiu que estados e municípios serão responsáveis por cobrir eventuais prejuízos em fundos de previdência que investiram em títulos do Banco Master, caso faltem recursos para pagar aposentadorias e pensões. Em resposta, o IPREM de Santa Rita do Oeste afirmou que os investimentos seguiram critérios técnicos e foram embasados por relatórios de consultorias especializadas. O PreviPaulista declarou que a aplicação foi realizada na gestão anterior e que auditorias indicam que o investimento ocorreu à revelia da governança interna.
O Maceió Previdência também defendeu que, na época, o banco estava habilitado nos órgãos reguladores e que os investimentos foram aprovados pelo conselho. O Rioprevidência informou ter obtido decisão judicial para reter valores ligados a empréstimos consignados, visando evitar a perda de um crédito estimado em R$ 970 milhões. A Amprev e o Amazonprev também acionaram o Judiciário para reter recursos e minimizar impactos.
Opinião
A situação dos fundos previdenciários evidencia a necessidade de maior supervisão e transparência nas aplicações financeiras, garantindo a proteção dos recursos destinados a aposentadorias e pensões.
