No contexto atual, o dólar está acima de R$ 6 na virada de 2024 para 2025, enquanto o Brasil se beneficia de um influxo de capital estrangeiro em mercados emergentes. Contudo, a fragilidade fiscal do Brasil não pode ser ignorada, conforme destacou Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central e sócio gestor da Ibiuna, durante um encontro com jornalistas na Anbima.
Riscos e Vulnerabilidades
Azevedo alertou que, embora o Brasil tenha recebido uma “super sorte” com a recente desvalorização do dólar, a situação fiscal do país é mais frágil do que no passado. “O Brasil tinha uma vulnerabilidade do setor externo muito grande. O que a questão fiscal coloca é que ela deixa a economia frágil”, afirmou Azevedo, ressaltando a dificuldade em prever quando essa fragilidade se manifestará.
Impacto de Donald Trump
O ex-diretor do BC também mencionou a possibilidade de mudança de cenário com a administração de Donald Trump. “Se o Trump mudar de ideia, pode mudar a pauta. Se mudar, isso capota rápido, capota grande”, alertou. Azevedo enfatizou que as crises fiscais tendem a se desenvolver de forma gradual até que se tornem agudas.
Perspectivas para o Mercado
Apesar dos riscos, Azevedo acredita que as ações brasileiras podem se valorizar, especialmente com o cenário favorável para o corte da Selic. Ele explicou que esse cenário pode levar a um ajuste na avaliação de preço justo das companhias listadas na bolsa, pois a taxa de desconto menor utilizada pelos investidores favorece a valorização. Até o momento, o fluxo internacional foi responsável por ingressos de R$ 25 bilhões no secundário da B3.
Desafios para Investidores
Contudo, Azevedo observou que ainda falta a participação de investidores individuais e fundos de pensão na revisão de suas carteiras. Ele ironizou a preferência dos investidores: “O problema é que o investidor gosta de bolsa cara, bolsa barata ninguém quer”.
Opinião
A análise de Rodrigo Azevedo destaca a importância de um olhar atento sobre a fragilidade fiscal do Brasil, que pode gerar turbulências inesperadas no mercado. A valorização das ações brasileiras, apesar do cenário positivo, deve ser acompanhada de cautela.





