Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, é o nome mais cotado para assumir a pasta após a saída de Fernando Haddad, prevista para fevereiro de 2026. A decisão de Haddad, que deixa o ministério em um momento de incertezas políticas, reflete a continuidade da estratégia fiscal adotada pelo governo Lula, que enfrenta desafios significativos.
A dívida pública brasileira atingiu 78,7% do PIB em dezembro de 2025, um indicativo preocupante da saúde fiscal do país. Desde o início do mandato, o governo já retirou R$ 336,9 bilhões em despesas das regras fiscais, o que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dessa abordagem.
O perfil de Dario Durigan
Com 41 anos, Durigan é advogado formado pela USP e servidor da Advocacia-Geral da União (AGU). Ele atuou como assessor especial na prefeitura de São Paulo entre 2015 e 2016 e é visto no Planalto como um nome que ‘não cria crises’. Sua relação respeitosa com Lula e sua habilidade em manter um bom trânsito com a Casa Civil são considerados ativos em um cenário político delicado.
A política econômica de 2026 já está praticamente fechada, com diretrizes aprovadas pelo Congresso. No entanto, a escolha de Durigan pode aprofundar as fragilidades da gestão de Haddad, especialmente em relação ao crescimento do gasto público, que continua a ser um desafio não enfrentado diretamente.
Expectativas do mercado
Analistas e investidores esperam que a condução de Durigan seja técnica e previsível, focada na execução do que já foi decidido, sem mudanças bruscas. O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, afirma que, do ponto de vista econômico, a mudança não deve trazer novidades significativas.
Apesar de ser o nome mais cotado, Durigan ainda não se manifestou publicamente sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda. Haddad, por sua vez, elogiou as qualidades de Durigan, destacando seu “conhecimento realmente abrangente” e “formação muito sólida”. Contudo, a decisão final sobre o sucessor caberá exclusivamente a Lula.
Opinião
A sucessão no Ministério da Fazenda é um momento crucial para o governo, especialmente em um período de incertezas fiscais. A escolha de Durigan pode trazer a estabilidade desejada, mas também evidencia os limites da autonomia técnica no atual governo.





