Um documento revelador enviado pelo Banco Master ao Banco Central em novembro de 2024 mostra que a instituição já havia recebido um ultimato da autoridade monetária para corrigir falhas graves de governança e saúde financeira, pelo menos um ano antes de sua liquidação, decretada em novembro de 2025.
O ofício, assinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, indicava o compromisso do banco em adotar medidas corretivas em até 180 dias, com prazo até maio de 2025. Essas ações visavam reforçar a liquidez, melhorar a gestão de riscos e reestruturar a governança corporativa do banco.
Restrição e monitoramento do Banco Central
O Banco Central já monitorava de perto a situação do Banco Master e impôs restrições, como a exigência de manutenção de ativos líquidos suficientes para cobrir dívidas de curto prazo e a limitação de operações de crédito. Essas informações indicam que a liquidação não foi um evento abrupto, mas o resultado de uma situação financeira deteriorada ao longo do tempo.
Dados alarmantes na liquidação
Em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro de 2025, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da liquidação, um valor muito abaixo do necessário, considerando que a instituição deveria manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em ativos líquidos.
Além disso, o Banco Master possuía aproximadamente R$ 80 bilhões em títulos, o que levanta questões sobre a gestão financeira da instituição. A discrepância entre o patrimônio declarado e o caixa disponível foi apontada como um fator central para a decisão de liquidação.
Prisão domiciliar e investigações
Daniel Vorcaro cumpriu prisão domiciliar desde novembro de 2025, após ter a prisão preventiva decretada durante a operação Compliance Zero. Sua defesa argumenta que as medidas pactuadas com o Banco Central estavam sendo cumpridas e que o banco se mantinha solvente até a liquidação.
Opinião
A situação do Banco Master levanta sérias preocupações sobre a eficácia da supervisão do Banco Central e a necessidade de uma reforma no sistema financeiro para evitar crises futuras.





