Um larvicida que reduziu em 86% a população do mosquito maruim começa a mudar a rotina de quem vive em Luiz Alves. Por anos, sair à rua significou conviver com coceira, vermelhidão e incômodo constantes, afetando o lazer, as atividades ao ar livre e até o turismo. O inseto (Culicoides spp.), também associado à transmissão da Febre Oropouche, levou o município a decretar situação de emergência e calamidade pública, por meio do Decreto nº 75/2024.
A solução surgiu a partir de um estudo desenvolvido com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que passou a testar o larvicida no município e obteve os resultados durante os ensaios no Vale do Itajaí. O projeto avaliou um larvicida desenvolvido pela empresa Nório Nanotecnologia, formulado a partir de substâncias naturais e com tecnologia capaz de ampliar o tempo de ação do produto.
Resultados e Inovações
O trabalho também implantou uma armadilha inédita, que utiliza inteligência artificial para capturar e monitorar a presença do maruim. Nas áreas tratadas, houve redução expressiva do maruim, com queda no número de insetos adultos capturados pelas armadilhas. Ao longo do monitoramento, os dados confirmam a eficácia da estratégia, que age ainda na fase inicial do inseto, ajudando a interromper seu ciclo de reprodução.
Moradores relataram melhora perceptível, com menos incômodo causado pelas picadas. Do ponto de vista ambiental, a solução demonstrou ser segura. Não foram identificados danos a outros insetos, como espécies nativas e polinizadores, nem prejuízos ao solo ou à produção agrícola, reforçando a viabilidade do uso contínuo no município.
Apresentação dos Resultados
Os dados foram apresentados em um evento que reuniu gestores públicos da região, pesquisadores, produtores rurais e moradores. Durante a solenidade, o presidente da Fapesc, Fábio Wagner Pinto, destacou que o investimento em pesquisas aplicadas integra a estratégia do Governo de Santa Catarina para gerar impactos diretos na vida da população.
O prefeito de Luiz Alves, Bertolino Bachmann, reforçou a importância da pesquisa como resposta científica a um dos momentos mais críticos da saúde pública no município. “Essa pesquisa é um passo fundamental para enfrentar um dos maiores desafios já vividos por Luiz Alves”, afirmou.
Expectativas Futuras
Atualmente, o produto e a planta de produção estão em trâmite de registro junto à Anvisa, com expectativa de que ainda neste semestre o larvicida esteja registrado e em produção, ampliando seu potencial de aplicação em outros municípios. A proponente do projeto e sócia da Nório Nanotecnologia, Patrícia Zigoski Uchôa, destacou que o apoio público foi decisivo para transformar um problema histórico em uma solução real.
Opinião
A pesquisa representa um avanço significativo no combate ao maruim, mostrando como a ciência pode trazer soluções práticas e eficientes para problemas de saúde pública.





