Economia

Brasil reduz pobreza extrema, mas carga tributária e crescimento preocupam

Brasil reduz pobreza extrema, mas carga tributária e crescimento preocupam

O Brasil tem passado por transformações significativas nas últimas décadas, especialmente no que diz respeito à pobreza. Dados recentes mostram que a pobreza extrema caiu de cerca de 30% nos anos 1990 para menos de 5% em 2023. Essa redução é um reflexo de várias políticas sociais e da estabilização econômica, mas o país ainda enfrenta desafios em termos de crescimento econômico e carga tributária.

Pobreza e desigualdade: avanços e desafios

Embora a redução da pobreza seja um feito notável, o crescimento do PIB per capita no Brasil foi de menos de 1,2% ao ano entre 1995 e 2022, o que coloca o país abaixo da média mundial de 2% e da média de países de renda média-alta, que cresceu 4% no mesmo período. O índice de Gini, que mede a desigualdade, também revela que o Brasil, com um índice de 0,48 em 2022, continua mais desigual do que a média dos países desenvolvidos e dos países de renda média-alta.

Carga tributária e seu impacto

Outro aspecto a ser considerado é o aumento da carga tributária, que subiu de 24% do PIB em 1992 para 34% em 2024. Esse aumento foi utilizado para financiar a rede de proteção social, incluindo programas como o Bolsa Família, mas também gera pressão sobre o investimento e a competitividade do país. A arrecadação brasileira se aproxima dos níveis de países desenvolvidos, mas o crescimento econômico não acompanhou esse aumento, resultando em um Estado que arrecada como um país rico, mas não apresenta a mesma dinâmica de produtividade.

Transferências de renda e seus efeitos

As transferências de renda, como o Bolsa Família, tiveram um papel crucial na elevação da renda dos 20% mais pobres, que cresceram R$ 275 mensais em 2022. No entanto, as simulações mostram que o crescimento econômico é a variável que mais contribui para elevar o piso material dos mais vulneráveis. Se o Brasil tivesse crescido na média dos países emergentes, a renda do quintil mais pobre poderia ter mais que dobrado.

O caminho a seguir

Para o futuro, é essencial que o Brasil mantenha e amplie suas políticas de proteção social, ao mesmo tempo em que adota uma estratégia de crescimento que reequilibre a carga tributária e aumente a produtividade. A combinação de crescimento econômico com políticas sociais eficazes pode gerar um ciclo virtuoso que beneficie os mais pobres de maneira mais efetiva do que apenas a redução da desigualdade.

Opinião

A trajetória de redução da pobreza no Brasil é admirável, mas o país precisa urgentemente de um plano que una crescimento econômico robusto e justiça social para garantir um futuro melhor para todos.