A China anunciou que a partir de 1.º de janeiro de 2026, aplicará cotas e tarifas de 55% sobre a carne bovina importada, incluindo o Brasil. A decisão foi tomada após uma investigação que apontou um “prejuízo grave” à indústria pecuária local, conforme informou o Ministério do Comércio chinês.
As novas medidas estarão em vigor até 31 de dezembro de 2028 e têm como objetivo proteger a indústria pecuária chinesa. A cota brasileira será de 1,1 milhão de toneladas, que é inferior ao volume que o Brasil exportou para a China nos primeiros 11 meses de 2025, totalizando 1,52 milhão de toneladas. Em 2025, a China foi responsável por quase metade das exportações de carne bovina do Brasil.
Impacto nas exportações brasileiras
O Brasil, que é o maior fornecedor de carne bovina para a China, verá suas exportações afetadas pela nova cota, que é quase 40% menor do que o valor vendido atualmente. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou a situação, afirmando que o Brasil está próximo da nova cota, mas indicou que o governo buscará negociar com a China para transferir cotas de outros países.
Reações do setor agropecuário
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressaram preocupação com as novas medidas, afirmando que elas alteram as condições de acesso ao mercado chinês e exigirão uma reorganização dos fluxos de produção e exportação.
Contexto e justificativa das medidas
As tarifas e cotas foram anunciadas após uma investigação iniciada em 27 de dezembro de 2024, que buscou avaliar o impacto do aumento das importações de carne bovina sobre a indústria local. Dados indicam que as importações cresceram quase 65% entre 2019 e 2023, e mais de 100% no primeiro semestre de 2024 em comparação com 2019.
O governo chinês enfatizou que as medidas não visam restringir o comércio, mas sim proporcionar alívio temporário à indústria nacional. A China, que é o maior importador mundial de carne bovina, adquiriu um recorde de 2,87 milhões de toneladas em 2024, mas viu uma queda de 9,5% nas importações no primeiro semestre de 2025.
Opinião
A imposição de tarifas e cotas pela China representa um novo desafio para o setor agropecuário brasileiro, que terá que se adaptar rapidamente a essas novas regras para manter sua competitividade no mercado internacional.





