O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, se manifestou sobre a polêmica gerada pela ala “Neoconservadores em conserva” apresentada pela Acadêmicos de Niterói durante o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no carnaval do Rio de Janeiro. Quaquá criticou a ala por sua representação de famílias dentro de latas de conserva, algumas adornadas com símbolos religiosos.
Em uma publicação no Instagram, Quaquá afirmou que quem deseja governar o país deve entender o que chamou de “Brasil real”. Ele ressaltou que o PT nasceu como um partido popular e que não deve escolher partes do povo para dialogar. “Não podemos deixar de dialogar com quem é conservador nos costumes. Uma parte significativa do nosso povo pensa assim e merece respeito”, escreveu.
O desfile da Acadêmicos de Niterói gerou reações principalmente entre os cristãos, com católicos e evangélicos publicando imagens de suas próprias famílias “enlatadas” em defesa do conservadorismo. Uma pesquisa do instituto Ideia revelou que 61,1% dos evangélicos entrevistados perceberam preconceito na ala criticada. O levantamento, que ouviu 656 pessoas em 315 municípios, também indicou que 35,1% acreditam que a reação da sociedade seria mais intensa se outra religião tivesse sido retratada.
Além disso, uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 61% dos evangélicos desaprovam o governo Lula, um percentual superior à desaprovação do público geral, que foi de 49%. Esses dados evidenciam a resistência do segmento religioso conservador a candidatos de esquerda, uma situação que se intensificou após a vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018.
Durante uma coletiva na Índia, Lula afirmou que “não pensa” nas críticas de setores evangélicos ao desfile, enfatizando que não é carnavalesco e que foi apenas homenageado. A Acadêmicos de Niterói terminou na última colocação no Grupo Especial, rebaixando-se à Série Ouro.
Opinião
A polêmica em torno do desfile e as reações subsequentes revelam a complexidade do diálogo entre diferentes segmentos da sociedade brasileira, evidenciando a necessidade de respeito e entendimento mútuo.
