A professora e ativista Victória Grabois, de 82 anos, perdeu seu pai, Maurício Grabois, seu irmão, André, e seu marido, Gilberto Olímpio, em 1973, assassinados por agentes do Estado na região da Serra do Araguaia. Eles eram parte de uma guerrilha que lutava pelo fim do regime de exceção. Victória afirma: “Não posso parar e faço tudo o que eu puder fazer para divulgar a memória e acabar com o silenciamento”.
Passados 53 anos, Victória expressa sua desilusão quanto a saber o que realmente aconteceu com sua família, mas ressalta a importância de lutar pela verdade e pela memória. “Quero que abram os arquivos e que digam onde mataram, como mataram e quando mataram”, destaca.
Entrega de atestados retificados
No dia 31 de outubro, às 17h, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos realizarão um evento na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, onde serão entregues 27 atestados de óbito retificados, incluindo o de Maurício Grabois. A causa da morte foi retificada para ação violenta do Estado. Maurício, que foi deputado constituinte em 1946, deixou escritos que foram compilados pela família.
Victória, uma das fundadoras do movimento Tortura Nunca Mais, não poderá comparecer ao evento, mas pede que o Estado não apenas corrija os atestados, mas também investigue as circunstâncias das mortes. “Meu pai foi um grande homem. Ele deu o seu bem maior, a vida, e levou o seu filho junto, em prol da liberdade do Brasil e da democracia”, afirma.
Reconhecimento e desafios
A provável data da morte de Maurício e André foi 25 de dezembro de 1973. Victória lembra com carinho de seu pai: “Ele era um homem de princípios que me ensinou a ser uma pessoa digna”. O movimento Tortura Nunca Mais homenageou defensores dos direitos humanos com a medalha “Chico Mendes”, destacando a importância de lembrar as violações do passado e do presente.
A presidente da comissão de mortos e desaparecidos, Eugênia Gonzaga, afirmou que as retificações de certidões de óbito são uma prioridade nas medidas de reparação. Gonzaga também criticou a falta de abertura completa dos arquivos das Forças Armadas, ressaltando que a justiça brasileira ainda não deu respostas definitivas para as famílias das vítimas.
Opinião
A luta de Victória Grabois é um exemplo poderoso de resistência e busca por justiça em um país que ainda enfrenta as sombras de seu passado autoritário.





