O debate econômico brasileiro ainda se apoia exclusivamente em grandes indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), inflação e taxa de juros. Embora esses números sejam relevantes, eles se tornaram uma linguagem restrita a especialistas, desconectada da realidade de quem trabalha arduamente e ainda assim termina no vermelho. A economia deve ser medida pelo que realmente entrega: comida na mesa, aluguel pago e contas em dia, o que está diretamente ligado à inclusão financeira do cidadão comum.
Em 2021, 84% dos brasileiros adultos possuíam conta bancária, e o uso de pagamentos digitais cresceu significativamente. Essa evolução ajudou a reduzir desigualdades no acesso a meios de pagamento entre ricos e pobres, diminuindo de 25 para 7 pontos percentuais em apenas quatro anos. Contudo, mais de 35 milhões de brasileiros permanecem sem acesso ao sistema financeiro tradicional, sem histórico de crédito, evidenciando uma clara exclusão econômica.
A desigualdade é alarmante: os 10% mais ricos do Brasil detêm cerca de quatro vezes mais crédito do que os 50% mais pobres. No entanto, ao analisarmos o Cadastro Único (CadÚnico), onde está concentrada a população de baixa renda, notamos que mais da metade acessou crédito no último ano. Esse crédito, porém, compromete até 38% da renda em algumas faixas, revelando que o acesso existe, mas a qualidade é baixa, muitas vezes gerando um ciclo de endividamento.
O acesso a crédito justo é essencial para transformar destinos. Ele possibilita a reorganização de dívidas e o investimento em pequenos negócios, permitindo que famílias e comunidades se fortaleçam. A inclusão financeira de qualidade tem um impacto direto no desenvolvimento econômico, pois melhora o empreendedorismo e reduz desigualdades.
O sistema financeiro deve adotar uma lógica de emancipação humana, mudando a pergunta de “quanto posso extrair dessa pessoa?” para “como posso ajudar a construir um futuro?”. Produtos financeiros simples, transparentes e com taxas justas, aliados a uma verdadeira educação financeira, podem transformar vidas. Não há desenvolvimento sustentável sem inclusão financeira.
Quando tratamos o CPF como protagonista da economia, mudamos a dinâmica do país. O CPF não é apenas um consumidor, mas também um produtor e empreendedor. É essencial que o sistema financeiro reconheça isso e veja o dinheiro como um investimento no potencial humano. Contudo, ainda há uma desconexão entre políticas macroeconômicas e a vida cotidiana, o que exige que políticas públicas e o sistema financeiro caminhem juntos.
A mensagem é clara: o futuro do Brasil não está apenas nos grandes números, mas nas pessoas e em cada CPF que luta diariamente. O sistema financeiro deve destravar esse potencial, pois quando o CPF prospera, o Brasil prospera. Este é o único crescimento que realmente importa.
Opinião
É fundamental que o Brasil priorize a inclusão financeira como uma estratégia essencial para o desenvolvimento econômico e social, garantindo que todos tenham acesso a oportunidades justas.
