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União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico, mas aprovação ainda é incerta

União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico, mas aprovação ainda é incerta

A União Europeia (UE) e o Mercosul assinaram neste sábado, em Assunção, Paraguai, um acordo histórico que cria uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo. O pacto, que foi celebrado por ambos os blocos como uma vitória do multilateralismo frente ao protecionismo tarifário, representa 30% do PIB mundial e abrange mais de 700 milhões de consumidores.

Detalhes do Acordo

O acordo, que estava sendo negociado desde 1999, elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, favorecendo as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para os países fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). Em contrapartida, facilita a entrada na Europa de produtos sul-americanos, como carne, açúcar, arroz, mel e soja.

As previsões indicam que as exportações da UE para o Mercosul podem aumentar em 39%, enquanto as exportações do Mercosul para a UE devem crescer 17%.

Reações e Implicações

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o acordo abre caminho para projetos conjuntos em minerais críticos e enfatizou a escolha do comércio justo em vez das tarifas. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou o pacto como uma “aposta decidida” frente ao uso do comércio como arma geopolítica.

Apesar do otimismo, a aprovação do acordo pelo Parlamento Europeu ainda é necessária, e há preocupações sobre possíveis atrasos de até dois anos na vigência do pacto, especialmente devido a um grupo de 145 parlamentares da UE que exige um parecer do Tribunal de Justiça do bloco antes da votação.

Protestos e Resistências

O acordo enfrenta resistência de agricultores e pecuaristas de alguns países europeus, que temem uma inundação de produtos sul-americanos com normas de produção consideradas menos rigorosas. Protestos ocorreram em várias nações, incluindo França e Polônia, onde manifestantes expressaram sua oposição ao tratado.

Opinião

O acordo UE-Mercosul representa um avanço significativo nas relações comerciais, mas a resistência interna e os possíveis atrasos na aprovação podem comprometer seus benefícios a curto prazo.