A pesquisa com a polilaminina, desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a farmacêutica Cristália, ganhou destaque recentemente. Contudo, ainda existem questionamentos sobre a eficácia da substância em ajudar pessoas com lesão medular a recuperar seus movimentos. Os estudos, liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho, começaram há mais de 25 anos, com foco inicial em testes laboratoriais.
A polilaminina foi descoberta acidentalmente por Tatiana Sampaio, que, ao tentar dissociar partes da laminina, notou que as moléculas se uniam, formando uma rede. Essa substância tem o potencial de atuar como uma base para a regeneração dos axônios, que são essenciais para a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Estudo-piloto e resultados
Entre 2016 e 2021, foi realizado um estudo-piloto com 8 pacientes que sofreram lesões completas na medula. Desses, cinco conseguiram algum ganho motor após o tratamento, embora não tenham voltado a andar. Um dos casos mais notáveis é o de Bruno Drummond, que recuperou movimentos após uma fratura em 2018 e, atualmente, consegue andar normalmente.
Fase 1 dos testes clínicos
Atualmente, o estudo está na fase 1 de testes clínicos, com início previsto para outubro de 2023. A Anvisa já aprovou a aplicação da polilaminina em 5 voluntários com lesões agudas da medula espinhal. Os testes visam avaliar a segurança da substância e monitorar possíveis efeitos adversos.
Expectativas para o futuro
Se a eficácia da polilaminina for confirmada, isso poderá representar uma grande conquista para a ciência brasileira e para milhões de pessoas afetadas por lesões medulares. Contudo, a equipe de pesquisa ainda tem um longo caminho pela frente, com a expectativa de concluir todas as fases de teste em cerca de dois anos e meio.
Opinião
A pesquisa com a polilaminina representa uma esperança significativa para muitos, mas a cautela é essencial até que os resultados sejam confirmados.






