O assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, declarou durante uma reunião de líderes militares latino-americanos que os cartéis de drogas só podem ser derrotados com o uso de força militar. Essa afirmação marca uma mudança na política dos Estados Unidos sob a administração do presidente Donald Trump.
Os comentários de Miller foram feitos na Conferência das Américas Contra Cartéis, realizada na sede do Comando Sul dos EUA. Ele enfatizou que, após décadas de tentativas, não existe uma solução de justiça criminal para o problema dos cartéis, afirmando: “A razão pela qual esta é uma conferência com liderança militar e não uma conferência de advogados é porque essas organizações só podem ser derrotadas com o poder militar.”
A nova abordagem dos EUA gerou controvérsias, com especialistas jurídicos e representantes do partido democrata questionando a legalidade da estratégia que equipara traficantes de drogas a membros de organizações terroristas, como a Al Qaeda e o Estado Islâmico. Essa política provocou descontentamento entre alguns parceiros tradicionais dos EUA na América Latina, como a Colômbia, que não enviou uma delegação ao encontro.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, expressou o desejo de que a conferência se concentre em operações que promovam uma cooperação mais estreita para fortalecer o combate aos cartéis. O diretor do Programa das Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Ryan Berg, comentou que o objetivo é unir governos pró-Washington com ideias semelhantes para estruturar novas formas de cooperação na região.
Na mesma semana, foi anunciado que as forças militares dos EUA estão apoiando o Equador no combate ao tráfico de drogas, e Berg destacou que a experiência do Equador pode servir de modelo para outros países participantes da conferência. Ele também mencionou que a reunião é um passo preparatório para a cúpula das Américas que Trump organiza em Miami neste fim de semana, onde se espera que a agenda inclua um foco em desafios relacionados à China.
Opinião
A nova postura dos EUA em relação ao combate aos cartéis levanta questões sobre a eficácia e a legalidade do uso da força militar, além de suas implicações para as relações diplomáticas na América Latina.






