Economia

Shein e Temu suspendem vendas na Turquia após fim de isenção de impostos

Shein e Temu suspendem vendas na Turquia após fim de isenção de impostos

As plataformas chinesas de comércio eletrônico Shein e Temu suspenderam ou restringiram suas operações na Turquia, em resposta à decisão do governo turco de acabar com o comércio on-line isento de impostos, que entrará em vigor a partir de 6 de fevereiro. Os consumidores turcos notaram, durante o fim de semana, que não conseguiam mais acessar produtos do exterior pelo aplicativo e site da Temu, após uma operação policial no escritório da varejista em Istambul.

A Shein, por sua vez, anunciou em seu site a suspensão das vendas na Turquia “devido a mudanças recentes nas políticas locais”. Nos últimos dois anos, o governo de Ancara intensificou esforços para proteger a indústria local, restringindo o acesso de plataformas on-line de baixo custo, como Temu, Shein e AliExpress, a um mercado estimado em US$ 1,5 bilhão.

Novas regras fiscais impactam o comércio eletrônico

A nova legislação impõe um limite de isenção de 30 euros (aproximadamente US$ 36) para encomendas, que já era uma restrição mais rigorosa desde agosto de 2024. Antes disso, procedimentos alfandegários simplificados eram permitidos para encomendas com valor inferior a 150 euros. Além disso, a Turquia aumentou a tributação sobre encomendas provenientes da União Europeia de 18% para 30% e dobrou essa taxa para 60% para produtos de países fora da UE.

Em dezembro de 2024, o governo decidiu abolir completamente o comércio on-line isento de impostos, alinhando-se a medidas similares adotadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Com isso, a partir de 6 de fevereiro, todas as encomendas importadas estarão sujeitas a procedimentos de importação comercial, exigindo que os compradores contratem despachantes aduaneiros e paguem diversos impostos e taxas, o que inviabiliza o comércio de pequenas encomendas que as plataformas chinesas dependem.

Alterações nas operações da Temu

A Temu, agora, oferece apenas estoque local, o que reduz drasticamente o apelo de um serviço conhecido por seus preços baixos de fornecedores chineses. Recentemente, a empresa passou por uma “inspeção in loco” por parte da Autoridade de Concorrência da Turquia, que resultou na apreensão de laptops e computadores, embora essa informação tenha sido negada pela própria autoridade.

Não está claro se as suspensões comerciais da Temu e da Shein se tornarão permanentes. A Shein, com sede em Cingapura, já enfrentou críticas da União Europeia por práticas de descontos enganosos, enquanto a Temu foi considerada culpada por Bruxelas por violar leis relacionadas a produtos ilegais vendidos em sua plataforma.

Cenário do comércio eletrônico na Turquia

A Trendyol, apoiada pelo Alibaba e com investimentos do SoftBank Group, é o maior marketplace on-line da Turquia, operando com um modelo de negócios que inclui itens de grande porte e marcas locais. Outras plataformas relevantes são Hepsiburada e Amazon. O volume total de comércio eletrônico na Turquia alcançou US$ 89,6 bilhões em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

O crescimento da Temu na Turquia foi significativo, com o acesso mensal à plataforma atingindo 29 milhões em julho, um aumento de 314% em relação ao ano anterior. Contudo, as novas medidas governamentais podem transformar as compras on-line baratas em um desafio quase impossível, afetando diretamente o mercado de US$ 1,5 bilhão.

Opinião

A suspensão das vendas pela Shein e Temu na Turquia reflete a crescente proteção da indústria local, mas também levanta preocupações sobre o acesso dos consumidores a produtos a preços acessíveis.