A tarifa global de 10% dos Estados Unidos sobre produtos importados, após a decisão da Suprema Corte norte-americana que derrubou o tarifaço de Donald Trump, mantém o alerta no setor químico brasileiro. O Brasil exporta cerca de US$ 15 bilhões por ano nesse setor, mas a nova alíquota, embora uniforme, tende a beneficiar a indústria americana.
Segundo Eder da Silva, gerente de Economia e Comércio Exterior da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), a medida fortalece a produção doméstica dos EUA. Ele destaca que a alíquota horizontal favorece a produção interna norte-americana, criando uma assimetria comercial.
Impacto na balança comercial
A balança comercial do setor químico é superavitária para os EUA em cerca de US$ 8 bilhões anuais. Atualmente, os Estados Unidos absorvem quase 15% das exportações químicas brasileiras, o que representa aproximadamente US$ 2 bilhões por ano. Com a nova tarifa, esse fluxo agora fica sujeito a um novo patamar tarifário.
Recuo nas exportações
O setor já vinha sentindo os efeitos da incerteza antes da definição final sobre as tarifas. Em 2025, houve um recuo de praticamente 15% no valor exportado aos EUA, resultado de margens comprimidas e redução de preços praticada por fabricantes brasileiros para preservar mercado. Muitos tiveram que baixar preços para manter os clientes norte-americanos enquanto aguardavam a resolução da discussão tarifária.
Ação do governo brasileiro
O governo brasileiro, através do Ministério da Indústria e Comércio, liderado pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, mobilizou-se nas negociações anteriores, resultando na exclusão de uma parcela relevante de produtos químicos da vigência do tarifaço no ano passado. No entanto, com a tarifa uniforme de 10% aplicada a todos os países, o setor enfrenta desafios, especialmente em um segmento onde os EUA já possuem uma vantagem estrutural na balança comercial.
Opinião
A nova tarifa de 10% dos EUA representa um desafio significativo para o setor químico brasileiro, que precisa se adaptar rapidamente para manter sua competitividade no mercado internacional.
