A produção de café em 2026 deve atingir um nível recorde, com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontando para 66,2 milhões de sacas beneficiadas. Apesar desse aumento, os preços do café não devem cair no curto prazo, segundo o economista Felippe Serigati, do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro).
Os estoques globais de café estão em níveis críticos, tendo caído de 31,9 milhões para 20,1 milhões de sacas desde 2021, uma redução de 36,9%. O especialista explica que, mesmo com a expectativa de uma boa safra, é necessário um esforço contínuo para recompor esses estoques, que foram afetados por adversidades climáticas em importantes países produtores, como Vietnã e Colômbia.
Impacto dos preços no mercado
O preço do café no Brasil acumula uma alta de 220% desde 2020, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro de 2024 e junho de 2025, o café moído teve uma alta de 99,48%, enquanto o café solúvel viu um aumento de 36,56% em dois anos. A inflação geral no mesmo período foi de 9,66%, evidenciando que o preço do café subiu 179,9% acima da inflação.
O café é a segunda bebida mais consumida no Brasil, atrás apenas da água, e seu aumento de preço tem impactado o orçamento das famílias. Para que o equilíbrio entre oferta e demanda seja restabelecido, o economista alerta que são necessárias pelo menos duas safras boas consecutivas.
Desafios futuros
O aumento da produção de café não ocorre de forma rápida, pois novos plantios levam de três a cinco anos para atingir a capacidade produtiva plena. Assim, a demanda global, que continua em expansão, especialmente no mercado asiático, pode manter os preços elevados por mais tempo.
Opinião
A situação do mercado de café é complexa e reflete não apenas a produção, mas também os desafios climáticos e econômicos que impactam diretamente o consumidor.






