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Polícia Militar dispara e causa morte de Gabriela em Campo Grande; ATTMS cobra apuração

Polícia Militar dispara e causa morte de Gabriela em Campo Grande; ATTMS cobra apuração

A mulher trans de 27 anos, identificada pelo nome social de Gabriela, morreu após ser baleada durante uma abordagem da Polícia Militar na tarde de 16 de outubro de 2023, no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, na região central de Campo Grande.

De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe do 1º Batalhão da Polícia Militar foi acionada para averiguar denúncia de pessoas em atitude suspeita nas imediações da Praça Santo Antônio. Durante a abordagem e a prisão de um dos envolvidos, houve tumulto. Durante a ação, Gabriela teria entrado em confronto físico com os militares. A arma de um dos policiais caiu no chão e foi apanhada por ela, que a teria apontado em direção à equipe.

Diante da situação, outro policial efetuou disparos para tentar contê-la. A vítima foi atingida no peito, abdômen e perna. Ela recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Coronel Antonino, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção de agente do Estado e segue sob investigação. A perícia recolheu as armas dos policiais envolvidos para análise. É importante ressaltar que desde o início de 2026, essa já é a 13° ocorrência onde houve confronto policial em Mato Grosso do Sul.

A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS) divulgou nota pública lamentando a morte de Gabriela e cobrando apuração rigorosa dos fatos. No texto, a entidade afirma receber “com profundo pesar” a notícia do falecimento e destaca que Gabriela foi “alvejada por quatro disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar”.

A ATTMS defende que “eventuais excessos não podem ser silenciados ou relativizados, devendo ser apurados com rigor, transparência e responsabilidade, pois a farda não pode servir de escudo para abusos”. Além disso, a associação sustenta que, “ainda que Gabriela estivesse errada em sua conduta, o uso desproporcional da força precisa ser rigorosamente apurado”, ressaltando que o caso exige investigação “séria, técnica e imediata” por parte dos órgãos competentes. A entidade afirma que acompanhará o caso e cobrará esclarecimentos das autoridades.

Opinião

A morte de Gabriela levanta questões cruciais sobre a atuação da Polícia Militar e a necessidade de uma investigação rigorosa para garantir a justiça e a proteção dos direitos humanos.