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Polícia Federal investiga Jocildo Lemos da Amprev por R$ 400 milhões em fraudes

Polícia Federal investiga Jocildo Lemos da Amprev por R$ 400 milhões em fraudes

A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, capital do Amapá, nesta sexta-feira (6), como parte da Operação Zona Cinzenta. A operação investiga irregularidades nos investimentos da Amapá Previdência (Amprev), que aplicou aproximadamente R$ 400 milhões no liquidado Banco Master.

O foco das investigações é o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Lemos, e outros dois integrantes do comitê de investimentos, que são suspeitos de gestão temerária e fraudulenta. A operação é um desdobramento da Operação Compliance Zero, iniciada no ano passado, que investiga a aplicação de recursos em papéis de alto risco, sem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Investigações em Andamento

Os mandados foram autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal e visam esclarecer se houve prejuízo ao patrimônio público e identificar os responsáveis pelas aplicações no banco. A PF busca documentos, registros internos e pareceres técnicos que esclareçam o processo decisório que levou à aplicação dos recursos no Banco Master.

Além da PF, o Ministério Público do Estado do Amapá também está investigando a compatibilidade dos investimentos da Amprev com a política do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). A investigação analisa se o fundo foi alertado sobre os riscos associados aos investimentos e se recebeu pareceres contrários.

Consequências da Liquidação do Banco Master

A liquidação do Banco Master foi determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, revelando que diversos fundos de previdência, incluindo a Amprev, alocaram recursos na instituição. O Ministério da Previdência responsabilizou estados e municípios por eventuais prejuízos, afirmando que são os responsáveis diretos por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões de seus servidores.

Um levantamento indicou que pelo menos 18 institutos previdenciários estaduais e municipais aplicaram recursos em Letras Financeiras do Banco Master nos últimos anos. A situação é crítica, já que o Rioprevidência do Rio de Janeiro, por exemplo, investiu quase R$ 1 bilhão na instituição.

Posicionamento da Amprev

A Amprev, em nota, afirmou que todas as aplicações realizadas seguiram as normas do Sistema Financeiro Nacional e a política de investimentos do RPPS. A entidade ressaltou que, após a liquidação do Banco Master, tomou providências para proteger os recursos, mantendo-os em conta específica no Banco do Brasil.

Opinião

A investigação da PF é um passo importante para assegurar a transparência na gestão de recursos públicos, especialmente em um momento em que a confiança nas instituições financeiras é crucial.