A Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, em 18 de novembro de 2025. Lima, um empresário baiano de 46 anos, é investigado por sua atuação como executivo do banco em um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito supostamente fraudulentos, que pode ter causado uma fraude estimada em R$ 12,2 bilhões.
A operação também resultou na prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e investiga irregularidades que surgiram após a aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), este é considerado o maior escândalo financeiro do país.
Histórico e Conexões Políticas
Augusto Lima deixou a sociedade do Banco Master em maio de 2024, após ter introduzido o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos principais produtos do banco. Em agosto de 2025, ele passou a controlar o Banco Pleno S.A., anteriormente conhecido como Banco Voiter, consolidando os negócios de crédito consignado que havia desenvolvido.
A trajetória empresarial de Lima está ligada a conexões políticas na Bahia, especialmente com o PT. Sua entrada na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) ocorreu durante a gestão do ex-governador Rui Costa (PT), e ele se aproximou de lideranças políticas como o senador Jaques Wagner (PT-BA). Essas relações políticas geram apreensão no Palácio do Planalto, especialmente com a expectativa de um depoimento de Lima à PF, previsto para janeiro de 2026.
Controvérsias e Aquisições
A saída de Lima do Banco Master foi cercada de controvérsias, com fontes afirmando que ele solicitou sua saída após descobrir operações questionáveis. Apesar de ter formalizado sua saída, seu nome ainda constava como diretor do Master em janeiro de 2026, conforme registros da Receita Federal.
Após deixar o Master, Lima adquiriu o Banco Voiter, rebatizando-o como Banco Pleno S.A. A aquisição gerou questionamentos sobre a atuação do Banco Central, que havia aprovado a transferência de controle, mesmo diante de indícios de irregularidades no Banco Master. A operação levantou dúvidas sobre a capacidade financeira de Lima e a origem dos recursos utilizados na compra.
Opinião
A prisão de Augusto Lima e as investigações da PF revelam a fragilidade do sistema financeiro e a necessidade de maior rigor no monitoramento de operações bancárias, especialmente em casos de fraudes bilionárias.





