Uma série investigativa revela a alarmante situação do desaparecimento de crianças no Brasil, onde cerca de 23 mil crianças estão classificadas como desaparecidas. A Polícia Civil de São Paulo prendeu um piloto da Latam Airlines Brasil no dia 9 de outubro, durante uma operação no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O suspeito é investigado por integrar uma quadrilha dedicada à exploração sexual de crianças.
Na mesma investigação, uma mulher foi detida, acusada de explorar sexualmente suas próprias netas, que têm 11, 12 e 15 anos. Esses casos ressaltam a grave falha do sistema de proteção, que opera de forma fragmentada, sem a necessária coordenação entre os órgãos responsáveis.
O colapso das primeiras 48 horas
As primeiras 24 a 48 horas após o desaparecimento de uma criança são cruciais para a localização das vítimas. No entanto, o sistema atual falha em agir de forma integrada. Delegacias, Conselhos Tutelares e o Judiciário trabalham de maneira isolada, resultando em um vácuo operacional que compromete a agilidade nas respostas.
A confusão conceitual entre as categorias de crianças “desaparecidas”, “evadidas” e “afastadas do lar” também contribui para a distorção das estatísticas, reduzindo a urgência das ações institucionais. Crianças em situação de vulnerabilidade social são as mais afetadas, recebendo respostas lentas do sistema, que deveria priorizar sua proteção.
Estatuto da Criança e do Adolescente
O Estatuto da Criança e do Adolescente impõe um dever de proteção integral, mas a inexecução sistemática das normas é evidente. O Estado precisa agir com mais rigor e eficiência para garantir que nenhuma criança permaneça desaparecida por longos períodos. A prisão do piloto e a investigação da avó são reflexos de um sistema que falha em detectar e prevenir crimes tão graves.
Enquanto a fragmentação de dados e protocolos frouxos persistirem, a proteção integral das crianças continuará sendo uma retórica vazia. A verdadeira proteção se evidencia quando as crianças estão em casa e os desaparecimentos são efetivamente reduzidos a zero.
Opinião
É urgente que o Estado reforce suas ações e promova uma integração eficaz entre os órgãos responsáveis pela proteção das crianças, para que casos de desaparecimento e exploração sexual sejam tratados com a seriedade que merecem.
