Economia

PicPay e Agibank movimentam bilhões em IPOs nos EUA e geram novas expectativas

PicPay e Agibank movimentam bilhões em IPOs nos EUA e geram novas expectativas

A abertura de capital de fintechs brasileiras nos Estados Unidos está gerando um novo cenário no mercado financeiro. O PicPay, uma das principais fintechs do Brasil, fez sua estreia na Nasdaq sob o código ‘PICS’, movimentando cerca de US$ 434,3 milhões com a venda de aproximadamente 22,9 milhões de ações, precificadas a US$ 19. Essa operação marca o primeiro IPO de uma empresa brasileira após quatro anos, já que o Nubank foi o último a realizar essa ação em dezembro de 2021.

Após a operação do PicPay, o Agibank também anunciou sua intenção de abrir capital na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), com uma faixa de preço entre US$ 15 e US$ 18 por ação. A expectativa é que a fintech, fundada por Marciano Testa, possa captar até US$ 720 milhões, o que elevaria sua avaliação a cerca de US$ 3,3 bilhões.

Vantagens e Desafios da Abertura de Capital nos EUA

A decisão de listar ações nos Estados Unidos é vista como vantajosa para fintechs com modelos de negócios escaláveis. Especialistas afirmam que, apesar do maior escrutínio regulatório, que inclui exigências como formulários 20-F e 6-K, o acesso ao mercado americano ainda é atraente devido à força do sistema financeiro dos EUA e à possibilidade de captar recursos em uma moeda forte.

De acordo com Maressa Campos, especialista em investimentos, a listagem nos EUA não se resume ao prestígio, mas sim à liquidez e à credibilidade que o mercado oferece. “O mercado norte-americano historicamente precifica tecnologia e digitalização com múltiplos superiores”, afirma Maressa.

O Futuro das Fintechs Brasileiras

Para Alexandre Abu-Jamra, CEO da Klooks, a abertura de capital nos EUA agora se tornou uma etapa avançada para fintechs que já provaram seu modelo de negócios e buscam uma base de capital mais sofisticada. Ele ressalta que, sem uma narrativa forte, o simples fato de estar listado nos EUA não garante múltiplos melhores.

Analistas como Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, acreditam que a listagem nos EUA deve ser vista como um movimento de segunda etapa, onde a empresa já possui uma base sólida de investidores e resultados previsíveis.

Opinião

A abertura de capital de fintechs brasileiras nos EUA é um passo significativo que reflete a maturidade do setor. Contudo, as empresas devem estar preparadas para os desafios regulatórios e garantir que seus modelos de negócios sejam sustentáveis para atrair investidores internacionais.